Isabela Sá Roriz | Simone Cadinelli Arte Contemporânea

Simone Cadinelli Arte Contemporânea inaugura a exposição “A vulnerabilidade da solidez”, com uma instalação inédita criada pela artista Isabela Sá Roriz (Rio de Janeiro, 1982) na edificação desocupada anexa à galeria. Usando polímeros de diferentes densidades, como cera, látex e silicone, ela discute de que maneira se pode escapar de “perspectivas formativas”, e assim “escorrer, sair, resistir aos limites”.

Na instalação, barras geométricas de cera suspensas do teto sustentam um polímero de catalisação lenta, que escorrem em direção ao chão até o seu estancamento, sugerindo “uma deformidade sobre a forma”. Oriunda da escultura, a artista escolheu esses materiais por possuírem macromoléculas semelhantes às encontradas no corpo humano. “Para responder à questão que me fiz, sobre como resistir à autoridade das formas, minha primeira ideia foi desestabilizar a autoridade da razão sobre o resto do corpo, invertendo a ordem racionalista. Assim, o corpo força o pensamento a pensar, e não mais é o obstáculo do pensamento”.

Isabela Sá Roriz comenta que “já que nossa sociedade é uma construção disforme, e que passamos por vários processos autoritários de formatação, quis apresentar distorções de corpos, fluxos, insubordinações de materiais, o disforme enquanto potência, em contraposição e tensão, às contenções geométricas e aos processos de formatação”, A artista quis propor uma diferente relação do corpo e a espacialidade, “com potência e intensidade”. “A cera, com uma densidade diferente, um sólido maleável, geométrico, apresenta uma estrutura de formatação, mas ao mesmo tempo é um material que está contido, na imanência de derreter, de sair, escorrer. É portanto uma solidez temporária, capaz de ser transformada”, diz.

A artista vem sedimentando sua pesquisa a partir dos diferentes estudos sobre o corpo dentro da estrutura sociopolítica, desenvolvidos, entre outros pensadores, por Georges Bataille (1897- 1962), Gilles Deleuze (1925-1995), Barbara Szaniecki, Helena Katz (1950) e pelo conceito de autopoesis criado nos anos 1970 pelos biólogos chilenos Francisco Varela (1946-2001) e Humberto Maturana (1928). Isabela Sá Roriz se interessa em discutir “a borda entre corpo e espaço e a permanente troca e produção de conhecimento entre eles”. “Portamos os espaços que habitamos no corpo, na carne, assim seus processos de formação seguem conosco”.

“Como resistir à autoridade das formas?”, indaga novamente a artista. “Como se pode conseguir, diante de perspectivas formativas, escorrer, sair, escapardos limites? O escorrimento do corpo pode ser uma estratégia de libertação”, afirma.

Isabela Sá Roriz mostrou parte desse processo de pesquisa na coletiva “Formação Deformação” (2018), nas Cavalariças da EAV Parque Lage, com curadoria de Ulisses Carrilho, e agora apresenta o projeto completo.

ARTE, ARQUITETURA E URBANISMO

A exposição se insere na temática “Arte, Arquitetura e Urbanismo”, que Simone Cadinelli Arte Contemporânea destacará em sua programação deste ano, em conexão com a escolha pela UNESCO de que o Rio de Janeiro em 2020 é a Capital Mundial da Arquitetura, em função da realização do UIA (União Internacional dos Arquitetos), a ser realizado em julho na cidade.

Para Simone Cadinelli, “as intervenções urbanas e a arquitetura proporcionam mudanças significativas e renovação de espaços em diversas escalas nas ruas, bairros e cidades”. Com a iniciativa, ela pretende “dar um novo sentido, experimentar algo que proporcione uma mudança positiva, assim como a arte tem o poder de se manifestar”.  “Foi pensando no trinômio Arte, Arquitetura e Urbanismo, inspirada na minha história profissional (arquiteta de formação), e motivada pelo Congresso Mundial de Arquitetura que será sediado no Rio de Janeiro, neste ano de 2020, que propus à artista visual Isabela Sá Roriz a realização de uma instalação, fruto da sua pesquisa em torno de experimentações de materiais e da borda entre corpo e espaço”, conta. “Proponho repensar o espaço fechado em uma edificação da vila que abriga a galeria, e ressignificá-lo com uma intervenção artística, que vai proporcionar ao visitante a leitura da intenção da artista com a exposição, e possibilitar uma mudança na relação deste espaço interno com a rua e com o bairro”, afirma Simone Cadinelli.

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