ISABEL BECKER | Museu de Arte de Brasília

A fotógrafa carioca Isabel Becker inaugura, no dia 13 de junho, a exposição Rejuntes Afetivos, no Museu de Arte de Brasília (MAB), onde permanece em cartaz até 30 de agosto de 2026. Com curadoria de Cecília Fortes, a mostra reúne trabalhos que partem da memória para construir um olhar para a estética cultural brasileira.

O projeto nasce das primeiras memórias afetivas da artista. As primeiras referências vêm das estampas de azulejos presentes em cozinhas e banheiros, espaços do cotidiano marcados pela simplicidade e pela repetição de padrões gráficos muito característicos no Brasil entre as décadas de 1950 e 1970. São imagens ligadas à memórias passadas, que permanecem como referência no novo trabalho da artista.

Ao revisitar seu próprio acervo, Isabel percebe a presença recorrente desses azulejos em suas fotografias. A partir dessa constatação, inicia uma pesquisa que parte do íntimo e avança para uma investigação mais ampla sobre a permanência dessa estética no tempo. A artista passa a buscar esses vestígios em casas e ambientes que ainda preservam esses padrões, conectando memória pessoal e história coletiva.

Esse percurso leva ao encontro com a arquitetura modernista no Brasil. Durante a construção de Brasília, arte e arquitetura passam a se integrar de forma mais direta, incorporando azulejos como parte dos projetos. Referências como Le Corbusier e Lúcio Costa ajudam a consolidar esse pensamento, que ganha expressão nas fachadas, nos pilotis e nos espaços públicos da cidade.

Nas obras, a artista se aproxima de painéis e desenhos ligados a nomes como Athos Bulcão, Marcílio Mendes e Marcelo Campelo. Esses elementos aparecem reorganizados em fotografias que misturam observação e construção de cena. As imagens são apresentadas em dípticos e trípticos de 42 x 50 cm, reforçando a repetição e o ritmo presentes na azulejaria.

Em Rejuntes Afetivos, Isabel Becker retoma esses elementos por meio da fotografia. As obras exploram repetição, cor e composição, criando imagens que transitam entre registro e construção. “Cada imagem conta algum tipo de história, família, afetos e patrimônio”, afirma a artista. Em outro momento, reforça: “Na repetição das imagens, convido à reflexão sobre a preservação da nossa história, e a sustentabilidade, que não é mais uma escolha, é um único caminho.”

A montagem da exposição acompanha esse pensamento e se inspira na lógica dos painéis, propondo uma ocupação do espaço que dialoga com a arquitetura. “Rejuntes Afetivos dialoga com a arquitetura e nos conduz a espaços imaginários, um olhar para dentro”, resume.

Por meio da fotografia, o projeto propõe uma leitura contemporânea dessa herança, não apenas documentando, mas reativando visualmente esses azulejos como memória viva de um ideal estético e cultural que permanece no cotidiano urbano.

Em Rejuntes Afetivos, a artista propõe um retorno a imagens e referências que fazem parte da formação visual do país, um convite a perceber o que resite ao tempo.

A exposição tem o apoio da Fundação Athos Bulcão e Casa Museu Ema Klabin.

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