Íntimo\ estranho | LONA Galeria

A Lona Galeria, de Duilio Ferronato, inaugura a coletiva Íntimo\ estranho, com curadoria de Higo Joseph, exibindo 29 trabalhos com técnicas de desenho, escultura, objeto, instalação e vídeo, explorando temas e estéticas que agregam o íntimo e o estranho, assinados por Catarina Sabino, Franco Palioff, Nalu Rosa e Roberta Fortunato.

O estranhamento gerado pela individualidade criativa e temática dos artistas que compõem a exposição, por ser acentuada pela história predecessora de cada um, gera uma sensação de intimidade com o desconhecido que aproxima o diferente. Trabalhos distintos, suportes diferenciados, técnicas personalizadas, mas mensagem coesa, em uníssono. A reflexão como proposta ao íntimo dos criadores pode gerar estranhamento aos externos, mas já é condição confortável aos artistas já em desenvolvimento de pesquisas sobre a matéria.

“A exposição explora o atrito entre o íntimo e o estranho artístico”, define o curador.

Partindo-se da premissa que o caminho mais curto para a intimidade consistente depende do compreender, entender e conhecer, isso torna-se fato gerador para uma experiencia de ruptura nas propriedades e definições do que é íntimo e do que é externo, alheio.

Higo estabeleceu os parâmetros e os liberou a criar. Catarina optou por desenhos em grandes formatos sobre papel que se assemelham a organismos extraterrestres. Franco ocupa o cine lona com vídeos que faz a partir de software de criação 3D explorando uma espécie de deformação grotesca. Nalu monta uma instalação interativa com suas esculturas de pelúcia, com certa conotação sexual; assim como Roberta que mostra também esculturas feitas a partir de materiais cotidianos e que exploram os temas de sexualidade, poder e o comicidade.

Catarina Sabino, não se prende a mensagens e sim sensações incomuns que provoquem rupturas de sequência, pausas, momento onde são decifrados seus tracejados. O estudo do corpo pela artista é um tema recorrente que agora gera formas orgânicas, em repetição, criando novas formas de organismos, paisagens, criaturas e outros seres possíveis. “Jogo luz sobre as imagens do corpo humano, procurando entender os desdobramentos do encontro dos limites entre dentro e fora atravessado pelo conceito da abjeção e do não corpo, criando novos organismos”, diz a artista.

 

Nalu Rosa, imersa no projeto Imo, uma série de trabalhos que remetem à intimidade, prazer, conforto, às vezes, sem explicação plausível. A busca é pelo acolhimento sem amaras e nem conduções que levem o visitante a interagir com a obra buscando explorar suas formas e texturas e as sensações que elas provocam. Em sua própria definição “são objetos têxteis elaborados com tecidos agradáveis ao toque, como a pelúcia e o moletom, bordado e preenchimento interno de fibra siliconada ou estopa. (…) os trabalhos costumam receber abraços, apertos e carícias, dialogando assim com o sentimento de afeto e sensação de conforto, temas essenciais ao projeto”.

Os objetos cotidianos de Roberta Fortunato, comuns e universais a cada um, surgem com novos significados apresentando formatos e funções diferenciados. Seus objetos manipuláveis, fieis Às suas características originais mas não necessariamente à sua forma, incitam o olhar e a curiosidade, mental e física, em direção tanto à memoria pessoal como a coletiva possibilitando experiencias tanto reais como as recém-inventadas. “Meus objetos trazem a discussão da nossa impermanência, da fugacidade e da fragilidade da existência, uma abordagem direta e sem adornos, ao mesmo tempo íntima e estranha” define Roberta.

Parte da poética dos vídeos 3D de Franco Palioff tem foco em questões de transgênero, indagações na fealdade e beleza atual, e releituras de temas mitológicos de forma pornográfica com pessoas escaneadas em nesse formato. Suas obras não estáticas transmitem mensagens que questionam valores e condutas sociais, estéticas e filosóficas contemporâneas, que vão desde liberdade e possessão nas relações sociais, familiares e conjugais, questionamento sobre o sexo e pornô, até pontos sobre os conceitos relacionados a feio e violento atual. Os temas relevantes ao artista são mutáveis, alternando em sua importância, decorrente de percurso pessoal. “Tenho alguns temas que foram sempre importantes e outros, que vim descobrindo nos últimos anos onde tive um pequeno desenvolvimento de meu pensamento social. É claro que também, foi produto das crises sociais recentes que aconteceram no Brasil e onde foi necessário falar deles”, define Franco.

Íntimo\estranho investiga a intimidade e o estranhamento gerados pela individualidade artística”, define Higo Joseph.

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