Instauração | Sesc Belenzinho

Com curadoria de Ananda Carvalho, a mostra “Instauração” apresenta um panorama diverso da performance: ações artísticas que utilizam o(s) corpo(s) como ferramenta, relacionando-o(s) aos modos de vivenciar o espaço e às possibilidades de trocas com o público. Considerando que a performance não possui definições fechadas e é uma manifestação artística complexa, o Sesc Belenzinho promove apresentações gratuitas com o intuito de aproximar o público desta linguagem e também provocar reflexões sobre questões sociais e políticas atuais. Em setembro, os artistas Shambuyi Wetu, Carla Borba, Alexandre D’Angeli realizam performances que refletem sobre as migrações e refugiados, violência contra a mulher e luta por moradia nos espaços de convivência da unidade.
O projeto começou com 3 ações criadas pelo artista refugiado do Congo Shambuyi Wetu: “Bagagem”, “Não à Guerra do Congo” e “A Natureza”. Para apresentar as 3 ações, Shambuyi desenvolveu vestimentas que procuram ativar reflexões sobre as migrações, as situações dos refugiados, as guerras no Congo e a relação entre natureza e cultura. Como “criaturas”, o performer e 2 artistas convidados caminharam pelo Sesc conversando com o público que os seguia em busca de fotos e conversas.
Em setembro, ainda haverá as performances “O que você tem a dizer?” da artista Carla Borba e “Vestindo Hiatos” de Alexandre D’Angeli. A ação proposta por Carla Borba foi elaborada com o objetivo de suscitar uma reflexão a respeito dos abusos sofridos por mulheres na fase da infância e\ou adolescência. Enquanto a artista escreve com pirógrafo sobre papel japonês, ela faz a leitura em voz alta de diversos relatos de assédio que tomaram conta das redes sociais, principalmente em 2015, devido a campanha “Primeiro Assédio”. Durante toda a ação a expressão “O que você tem a dizer?” é repetida. Segundo a artista, “a escrita com fogo remete à ideia de que os relatos tanto queimam e ardem a memória da vítima quanto de quem participa da performance”.
Já, Alexandre D’Angeli apresenta uma performance de longa duração inédita e exclusiva para o projeto. De acordo com o artista, “’Vestindo Hiatos’ propõe pensar acerca dos fenômenos de vacância e especulação imobiliária, e sua relação com os processos de ocupação organizada e de gentrificação”. A partir de uma pesquisa de 5 meses em diversas ocupações da Frente Livre por Moradia (FLM), o artista propõe uma ação em que doze camisas brancas previamente bordadas com pontos soltos podem ter suas tramas desfeitas pela audiência ao longo da ação. Vestidas uma a uma ao longo de cada hora, as peças bordadas apresentam plantas arquitetônicas de edificações ocupadas ou que estão em perímetro de especulação imobiliária.
Datas das performances:
02 de setembro, 17 às 19h:
“Bagagem”, “Não à Guerra do Congo” e “A Natureza” com Shambuyi Wetu e convidados.
16 de setembro, 19h às 21h:
“O que você tem a dizer?”  com Carla Borba, na área de convivência.
30 de setembro e 01 de outubro, 13h às 19h:
“Vestindo Hiatos” com Alexandre D’Angeli, na área de convivência.
07 de outubro, 11h:
Bate-papo com a curadora Ananda Carvalho e os artistas Shambuyi Wetu, Carla Borba e Alexandre D’Angeli.
 

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