O Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica apresenta a exposição Sensoriais, que marca a primeira exposição da artista Inara Vidal no Rio de Janeiro. Com curadoria de Daniele Machado, a mostra percorre as intersecções entre som, corpo e matéria. As esculturas sonoras em cerâmica surgem do gesto e da escuta atenta.
“Ao ativarmos as esculturas, são construídos sons por combinações de ar, água, espaço, argila e ação, que podem ser ouvidos, mas também tocados, vistos, cheirados. Eles têm peso, exigem o corpo todo, o equilíbrio, a consciência corporal e tantas outras camadas dos sentidos. São sons que reorientam o futuro pelo passado, ao revelarem que a multissensorialidade, um dos maiores legados da arte contemporânea, sempre foi parte de nós. Ao mesmo tempo, o caráter profético desses trabalhos também se revela no processo de criação, em que a artista desmonta a cadeia de produção: da queima à argila silvestre”, declara Daniele Machado, curadora da mostra.
As narrativas históricas do Ocidente foram, em grande parte, escritas a partir de um único ponto de vista. A exposição no Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica e a pesquisa com sistemas acústicos ancestrais propõem outra forma de contar a história da América Latina, narrada por uma artista latino-americana. É possível narrar nossas próprias histórias de modo diferente dos colonizadores — escutando o que vibra antes de 1500, quando os registros coloniais silenciam o que veio antes. Esse gesto, ao mesmo tempo estético e político, transforma som, corpo e matéria em uma linguagem própria, capaz de fazer ressoar memórias e imaginários que a escrita oficial tentou apagar.

