A Pinakotheke Editora lança Impossível: a história de amor de Maria Martins e Marcel Duchamp, do historiador de arte americano Francis M. Naumann. O lançamento será no dia 11 de agosto de 2026, às 19h, na Pinakotheke São Paulo, em Higienópolis, com uma conversa aberta entre o autor e o público, seguida de sessão de autógrafos e visita à exposição Surrealismos: arte para além da razão, na Pinakotheke São Paulo, em cartaz até 15 de agosto, onde há uma sala especial dedicada a Maria Martins, com uma coleção de esculturas e gravuras produzidas pela artista entre os anos 1940 e 1950.
Publicado nos EUA em abril de 2026 pela Abbeville Press, o livro ganha edição em português, com 192 páginas, ilustrado, e tradução de Richard Sanches. Com base em documentos e correspondências inéditas, Francis M. Naumann (1948), pesquisador e curador especializado em Dadaísmo e Surrealismo, conta, em um texto cativante, um dos episódios mais bem guardados da história da arte moderna: o caso amoroso entre o francês Marcel Duchamp (1887-1968) e a escultora brasileira Maria Martins (1894-1973), vivido em segredo na Nova York dos anos 1940. O amor secreto gerou obras-primas dos dois artistas, e o livro faz uma reparação histórica a Maria Martins, uma das escultoras surrealistas mais importantes e reconhecidas de sua geração.
Entre 1943 e 1951, Duchamp — já celebrado como um dos maiores intelectuais da arte do século XX — e Maria Martins viveram um caso amoroso intenso e deliberadamente oculto. Ela era escultora, brasileira, casada com o embaixador do Brasil nos Estados Unidos. Ele era o artista que havia abandonado a fama para se dedicar ao xadrez e que, ao encontrá-la, se apaixonou pela primeira e única vez na vida.
O que Naumann narra é que esse amor não foi apenas uma história pessoal: foi o motor criativo que levou Duchamp a passar os últimos vinte anos de sua vida trabalhando em segredo em sua última e mais perturbadora obra, Étant donnés (1966), um tableau em tamanho natural que, quando inaugurado postumamente no Philadelphia Museum of Art, em 1969, chocou o mundo da arte com a imagem de uma mulher nua, deitada, com as pernas abertas, segurando um lampião a gás. O modelo para aquela figura era o corpo de Maria Martins.
Naumann, maior especialista vivo na obra de Duchamp e autor de sua correspondência selecionada, demonstra com rigor documental que a influência da escultora brasileira sobre o artista foi muito mais profunda do que se sabia. A partir de desenhos preparatórios, moldes do corpo de Maria, cartas trocadas pelo casal e análises formais das esculturas de ambos, o autor reconstrói a gênese de Étant donnés e prova que a relação entre a obra de Maria — especialmente suas esculturas surrealistas do ciclo amazônico — e a última grande obra de Duchamp nunca havia sido explorada pela literatura especializada.
O livro Impossível é também um ato de reparação histórica. Maria Martins foi, nos anos 1940, uma das escultoras surrealistas mais importantes e reconhecidas de sua geração. Celebrada por André Breton, comprada por Nelson Rockefeller, exposta nas galerias mais importantes de Nova York. Após sua morte, foi progressivamente esquecida fora do Brasil. Naumann a recoloca no centro da narrativa da arte moderna, não como musa ou coadjuvante, mas como artista que influenciou decisivamente o percurso criativo do homem considerado o artista mais inteligente do século XX.
A escultura O Impossível (1945), de Maria Martins, condensa a dualidade entre desejo e interdito que atravessa sua produção. As formas orgânicas e ambíguas da escultura convidam o espectador a habitar um território de transformação permanente, no qual corpos se fundem à natureza e escapam de definições estáveis. A obra dialoga com o imaginário surrealista, mas carrega marcas fortes da fauna e das mitologias americanas.
Há três versões de O Impossível: em bronze, pertencente ao acervo do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro; em gesso, no Museo de Arte Latinoamericano de Buenos Aires (Malba); e em bronze, produzida em 1946, no Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA).
Na exposição Surrealismos: arte para além da razão, na Pinakotheke São Paulo, dentro da sala especial dedicada a Maria Martins, está a obra Impossible (1946), gravura em metal sobre papel, 34 × 26 cm.

