Iberê Camargo – O Fio de Ariadne | Instituto Tomie Ohtake

Com um rigoroso protocolo de segurança sanitária, a Fundação Iberê Camargo, reabre neste sábado (19) as portas ao público. Com visitas em grupos de 15 pessoas por hora, mediante marcação prévia, o espaço cultural preparou duas mostras inéditas. A exposição Iberê Camargo – O Fio de Ariadne, sob a curadoria de Denise Mattar e Gustavo Possamai, e a coleção Tudo Vem do Nosso Pátio, com gravuras assinadas por 34 artistas gaúchos de diferentes trajetórias do projeto Artista Convidado do Ateliê da Gravura. Foto: Marcos Nagelstein/ Agência Preview

A Fundação Iberê inicia 2021 expandindo sua presença no Brasil, tendo como destino o Instituto Tomie Ohtake. A partir de 13 de março, a instituição abrigará a exposição “Iberê Camargo – O Fio de Ariadne”. Com curadoria de Denise Mattar e Gustavo Possamai, a mostra revela 36 cerâmicas e oito tapeçarias de grandes dimensões, obras de Iberê Camargo que não são expostas há cerca de 40 anos e que estão em coleções públicas e particulares de Lisboa, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre. Acompanham a exposição cartões e gravuras e uma linha do tempo em referência à urdidura feminina que apoiou o trabalho do pintor ao longo de sua história.

A itinerância é fruto da relação profissional de longa data entre Emilio Kalil, diretor-superintendente da Fundação Iberê, e Ricardo Ohtake, filho de Tomie Ohtake e presidente do Instituto que leva o nome da artista. Nascido em Bagé, Kalil viveu 40 anos fora do Rio Grande do Sul. Dirigiu instituições culturais em Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro, onde também foi secretário de Cultura da capital fluminense. Ao retornar a Porto Alegre para assumir da Fundação, em 2018, trouxe exposições de artistas de reconhecimento internacional como Cecily Brown, Louise Bourgeois, Wesley Duke Lee, Daniel Senise, José Bechara, Grupo de Bagé e Maxwell Alexandre.

O Fio de Ariadne – Durante as décadas de 1960 e 1980, além de sua intensa produção em pintura, desenho e gravura, Iberê Camargo realizou trabalhos em cerâmica e tapeçaria. Eles respondiam a uma demanda do circuito de arte, herdada da utopia modernista que preconizava o conceito de síntese das artes; uma colaboração estreita entre arte, arquitetura e artesanato. Com assessoria técnica das ceramistas Luiza Prado e Marianita Linck, o artista realizou, nos anos 1960, um conjunto de pinturas em porcelana com resultados surpreendentes. Na década seguinte selecionou um conjunto de cartões que foram transformados por Maria Angela Magalhães em impactantes tapeçarias.

A mostra é complementada por uma cronologia ilustrada, apresentando algumas das mulheres que marcaram presença na vida de Iberê, por meio de fotos, biografias e depoimentos: a esposa Maria Coussirat Camargo; as artistas Djanira, Regina Silveira e Maria Tomaselli; a tapeceira Maria Angela Magalhães; as ceramistas Luiza Prado e Marianita Linck; as gravadoras Anna Letycia, Anico Herskovits e Marta Loguercio; a escritora Clarice Lispector; a galerista Tina Zappoli; a produtora cultural Evelyn Ioschpe; a cantora Adriana Calcanhotto e a atriz Fernanda Montenegro.

 

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