Ian Raposo | Galeria de Arte IBEU

A Galeria de Arte IBEU, no Jardim Botânico, apresenta, de 24 de setembro a 27 de novembro, a exposição individual A Pintura é., do artista Ian Raposo. Com curadoria de Bruno Miguel, a mostra é resultado da premiação conquistada pelo artista na coletiva NOVÍSSIMOS 2026, tradicional iniciativa do IBEU voltada à valorização e à divulgação de novos nomes da arte contemporânea.

A exposição reúne trabalhos que evidenciam as transformações ocorridas na produção de Ian ao longo dos últimos anos. Em suas obras, retratos e corpos passam por um processo de dissolução e reorganização, no qual a figuração se aproxima gradualmente da abstração sem perder sua carga emocional e psicológica.

Com quase 10 anos de prática artística, Ian encontra no dia a dia parte importante de sua pesquisa. Os deslocamentos de ônibus até o ateliê, por exemplo, funcionam como um laboratório de desenho: durante o trajeto, o artista utiliza o balanço do veículo para conduzir os traços feitos com caneta nanquim em seu caderno. Esse movimento entre planejamento e acaso também aparece em suas pinturas, nas quais os procedimentos criativos disputam espaço com o controle racional.

“Fiquei muito contente por ter sido selecionado para a 49ª edição do NOVÍSSIMOS IBEU e mais ainda por ter conquistado o prêmio, que me permitiu realizar esta exposição individual na Galeria de Arte IBEU, um espaço tradicional, em funcionamento desde a década de 1940 no Rio de Janeiro. Ao longo de sua história, a galeria recebeu exposições coletivas e individuais de nomes que foram fundamentais para a construção da cultura brasileira e permanecem relevantes até hoje. Ter meu nome marcado na trajetória desse salão significa muito para mim, pois me faz sentir conectado a artistas que respeito, admiro e que influenciam meu trabalho”, afirma Ian Raposo.

A produção do artista se desenvolve a partir da observação do campo subjetivo e da estrutura psicológica do ser humano. Nas obras selecionadas para a mostra, a figura humana vai deixando de aparecer com contornos definidos, mas permanece inscrita na tela por meio de formas, cores e gestos que buscam traduzir sensações.

Segundo o curador Bruno Miguel, a pintura de Ian Raposo funciona como um filtro de desaceleração diante do excesso de imagens que atravessam o cotidiano. “Seu trabalho se estrutura no que foi, para refletir o que será”, afirma. Ao propor um espaço entre o retrato, a paisagem e a abstração, a exposição convida o público a observar a pintura para além da representação objetiva da realidade.

 

 

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