I Mostra Virtual de Arte Contemporânea

No ar a partir do dia 12 de novembro, a I Mostra Virtual de Arte Contemporânea reúne oito jovens artistas plásticos brasileiros, que apresentarão 80 de suas obras no site criado especialmente para o projeto. Com curadoria de Jairo B. Goldenberg, a exposição apresenta a arte de Alice Lara, Henrique Detomi, Jean Pierre Pierote, Alexandre Matos, Fernando Soares, Luiz Lira, Manassés Muniz e Ramon Santos.

“A valorização de novos nomes no cenário das artes é de grande importância. Por isso, selecionamos artistas com carreira em fase de consolidação e obras com relevância para a formação de um novo público, pouco habituado aos espaços convencionais de apresentação da arte. A intenção é fomentar a atividade cultural no país, tanto no âmbito de produção quanto de difusão”, declara o curador Jairo B. Goldenberg.

A realização é do Ministério do Turismo e da Secretaria Especial da Cultura através da Lei Federal de Incentivo à Cultura. O patrocínio é da Athié Wohnrath (AW). A exposição fica no ar até o dia 10 de janeiro de 2021.

“Nós acreditamos que a inspiração tem diversas formas: ao ver um ambiente disruptivo, uma arquitetura clássica ou uma obra de arte abstrata. É por isso que enxergamos a importância de apoiar e investir em iniciativas culturais e artísticas, como a I Mostra Virtual de Arte Contemporânea. A exposição vai de encontro à razão de existir da AW: construir espaços para inspirar pessoas”, afirma Paulo Fagotti, Diretor de Marketing da Athié Wohnrath.

Cada co-curador, Antonio Carlos Suster Abdalla e Vítor Mizael, ficou responsável por duas duplas. Além de apresentar o trabalho de cada artista, promoveram diálogos estéticos e conceituais entre eles.

Esses diálogos foram documentados em vídeos com cerca de 30 minutos de duração.  E a partir desses vídeos foram extraídos teasers para divulgação em outras mídias. Além das conversas, o site da I Mostra Virtual de Arte Contemporânea reproduz 80 obras desses artistas e as respectivas mini-biografias de cada um deles.

“Nos vídeos, os artistas são apresentados em duplas, reunidas não por afinidades conceituais ou plásticas, mas justamente pela diferença e pela possibilidade de questões individuais provocarem pensamentos e reflexões nos interlocutores”, revela o co-curador Vitor Mizael, que intermediou as conversas entre os artistas Jean Pierre Pierote e Alexandre Matos, Alice Lara e Henrique Detomi.

Jean Pierre Pierote e Alexandre Matos trabalham com mídias aparentemente distantes, como a fotografia e o desenho, e suas obras são carregadas de simbologias que, num olhar mais rápido, não se comunicam.

Contudo, ao revelarem seus processos, é possível notar interseções poéticas entre suas produções, numa investigação que toma o lar e suas origens como motor.

Alice Lara e Henrique Detomi apresentam trabalhos cuja plástica é carregada de semelhanças, seja pela paleta adotada ou pelo veículo escolhido. Num olhar mais ligeiro, nota-se semelhanças inclusive nas imagens apresentadas em suas pinturas. Porém, ao dar voz aos seus processos, evidenciam-se interesses que carregam suas poéticas para caminhos diversos.

“Não estava interessado em apresentar leituras das suas obras, mas sim em tocar em seus processos criativos e tornar visível, ainda que minimamente, parte daquilo que foi materializado”, explica o co-curador Vitor Mizael.

O co-curador Antonio Carlos Suster Abdalla ficou responsável por mediar Fernando Soares, Luiz Lira, Manassés Muniz e Ramon Santos.

Segundo o co-curador Abdalla, Fernando Soares é o mais ousado, com obras que revelam a influência de Lúcio Fontana e a tridimensionalidade da textura própria dos materiais como a borracha e a fibra sintética, aproximando-se da vertente da Nova Tapeçaria.

Ainda de acordo com o co-curador, Luiz Lira e Ramon Santos são talentos que escolheram uma das manifestações mais antigas da arte: a xilogravura. Receberam formação inicial através do Instituto Acaia, uma ONG dedicada à formação cultural e humanística integral.

“Luiz Lira se apresenta com uma visão mais social e dramática, centrando sua temática na figura humana, com alguns retratos imaginários e outros reais, todos de grande força expressiva. Já Ramon Santos prefere uma visão mais lírica, com a temática das coisas da natureza, que vai criando um mundo ideal povoado de figuras reais próximas da perfeição”, revela o co-curador Abdalla.

Os desenhos de Manassés Muniz são de grande e devastador efeito. Figuras terríficas, trabalhadas com esmero e perfeccionismo, se aproximam da arte românica e fantasiosa, com seres fantásticos e irreais, íncubos e súcubos, grifos, utopias e gárgulas, todos seres monstruosos criados pela imaginação para afastar os demônios internos, expulsando-os da vida cotidiana e mantendo-os a distância segura.

“É realmente entusiasmante descobrir que uma nova geração de artistas tem tanto a mostrar. Espero que essa verdadeira arte possa impedir que o homem seja engolido pela mediocridade, um risco assustador, cada vez mais próximo e real”, conclui o co-curador Abdalla.

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