a Galeria Mercedes Viegas inaugura a exposição Hiding in plain sight (“Escondento em plena vista”), da escocesa Clare Andrews, com texto crítico de Mel Gooding. A artista apresenta uma série inédita de pinturas à óleo de cenas do cotidiano em diálogo com obras de grandes nomes da história da arte.
Em seu processo criativo, muitas vezes a artista parte de retratos que tira no seu dia a dia. As imagens então se desdobram em um entrelaçar de elementos figurativos e abstratos, com cores planas e narrativas cheias de significados.
Em uma obra que leva o título da exposição, uma mulher nua de costas, cujo desenho foi inspirado no corpo da artista, contrasta com campos de cores que fazem referência ao trabalho do pintor norte-americano Mark Rothko e a uma padronagem, em diálogo com a produção do inglês William Maurice (1834-1896).
Na entrada da galeria, duas pinturas de pássaros fazem alusão às aves que vivem nos arredores do ateliê de Clare, na Escócia. Na obra “Connoisseur”de grandes dimensões, a artista volta a trabalhar o feminino em diferentes referências a corpos de mulheres das pinturas de Sandro Botticelli, Gustave Courbet e Jean-Auguste Dominique Ingres, em uma estrutura que remete a um quadro de Piet Mondrian. Irônico, o título se refere a um pinguim, que aparece em meio à tela.
Um díptico traz a pintura de um lobo ao lado de uma tela de um vermelho intenso, representando o perigo. Outras pinturas trazem homens e mulheres em situações cotidianas, feitas a partir de fotografias.
“Tento não conceituar muito enquanto trabalho, isso pode ser restritivo e inibidor. É melhor manter as coisas fluidas. Só depois de concluída uma pintura é que entendo melhor o que ela é. Geralmente trabalho em série. Várias pinturas se desenvolvem ao mesmo tempo, com elementos, cores e ideias comuns; que se resolvem de maneiras cada vez mais diversas, até que o processo se esgote”, conta a artista.
Em 2024, além da Galeria Mercedes Viegas, a artista expõe na The Gallery At Linlighgow Burgh Halls, na Escócia. Por meio de sua plástica impecável, ela eterniza o cotidiano com uma voracidade suave e hipnotizante.

