Helena Trindade | Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica

A exposição “Domínio Lacunar”, da artista Helena Trindade, com curadoria de Glória Ferreira foi pensada e executada especialmente para espaço, a partir dos documentos do arquivo do Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica. Para a artista, todo arquivo é um recorte, onde as ideias de completude e de objetividade não se aplicam.  São ocupadas as duas galerias do pavimento térreo com instalações construídas com catálogos e cópias de documentos que registram as atividades do local. Com eles, a artista constrói pequenas caixas que, enquanto módulos de apelo táctil e visual, estruturam os trabalhos apresentados. Ocas, no entanto, mostram fotos e escritos de uma forma fragmentária que demanda do espectador sua “investigação” e sua leitura singular. Reunidos de maneira mais ou menos aleatória, imagens e texto deflagram encontros poéticos.
Na primeira galeria, são apresentados dois trabalhos que fazem referência à obra de Helio Oiticica, artista carioca que completaria 80 anos este ano. São eles: ‘Bólide AHO’ e ‘Coluna AHO’ (AHO querendo dizer “a Helio Oiticica”). O primeiro consiste numa caixa que, construída com a imagem de uma maquete de um Penetrável de Helio Oiticica, é coberta com a mesma tela vazada branca utilizada no estudo do artista. Já ‘Coluna AHO’, que se estende do piso ao teto, foi construída com pequenas caixas dos documentos das exposições de Helio Oiticica no CMAHO. Ela faz referência aos Bólides, Ninhos, Tropicália, Magic Square e outras obras de Helio, onde a artista vislumbra a ideia de caixa. A coluna também é pontuada por elementos de cores primárias, uma alusão ao gosto de Oiticica pela obra de Mondrian.
Na segunda sala, Helena apresenta os trabalhos ‘Cata-clismo’, ‘Maquinária’ e ‘Dados’. O primeiro é construído com catálogos do CMAHO que se “derramam” verticalmente uns sobre os outros e que privilegiam imagens de quadrados, caixas e cubos de autoria de vários artistas. ‘Maquinária’ é elaborado com documentos, a partir de 2014, transformados em pequenas caixas. São clippings de imprensa, fotos, esquemas de montagem, listas de materiais de produção, convites de exposições, seminários, debates, defesas de tese, agenda de visitas de escolas, entre outros materiais. Já a obra ‘Dados’ é construída a partir de 64 pequenos cubos feitos de cópias dos documentos do arquivo do CMAHO. O título faz referência à forma (DADOS querendo dizer cubos) e ao conteúdo (DADOS querendo dizer informações do arquivo) do trabalho. É também uma alusão ao acaso (lance de dados), presente na maneira que foi construído, juntando texto e imagem meio que aleatoriamente.

Compartilhar: