Heinz Mack | Galeria Nara Roesler

Luz, movimento e cor: estes são os três pilares básicos da obra do artista alemão Heinz Mack (1931), que realiza sua primeira exposição individual no Brasil. Intitulada Paragold, a mostra traça um vasto panorama histórico e formal de sua produção ao longo de mais de meio século. São 42 obras – entre esculturas, pinturas e obras sobre papel -, de diferentes períodos, que dão ao público a oportunidade de conhecer de perto os vários caminhos trilhados pelo artista em sua persistente investigação, poética e plástica, acerca das vibrações luminosas. A seleção poderá ser vista entre os dias 2 de setembro e 30 de outubro e marca o início da representação de Mack pela galeria brasileira.

Expoente da arte cinética e nome decisivo na história da arte da Alemanha do pós-guerra, Mack iniciou sua carreira na década de 1950. Em 1957 fundou, com Otto Piene, o Grupo ZERO (1957-1966), ao qual posteriormente viria se juntar Gunther Uecker. O desejo do grupo era fundar uma estrutura livre e coletiva de criação, sem amarras ou pré-condições, anseios que se perpetuaram ao longo de sua trajetória. Ao redor desse primeiro núcleo alemão, formou-se uma extensa rede de trocas e parcerias com artistas de diferentes nacionalidades. Alinhados ao mesmo espírito de transformação da linguagem artística, esse coletivo mais amplo se propunha a revolucionar a arte por meio da adoção de estruturas dinâmicas, ao rejeitar a arte do gesto e da individualidade. Entre eles destacaram-se os franceses Yves Klein, com quem Mack desenvolveu uma grande amizade que se desdobraria em inúmeras colaborações, e Jean Tinguely, parceiro de um universo de experimentações que alimentaram suas buscas pela pureza estética, pelo essencial.

“O objetivo é alcançar a clareza pura, grandiosa e objetiva, livre da expressão romântica e arbitrariamente individual. Em meu trabalho eu exploro e busco fenômenos estruturais, cuja lógica estrita eu interrompo ou amplio por meio de intervenções aleatórias, ou seja, de eventos fortuitos”, sintetiza Mack. Com uma trajetória marcada por um forte impulso experimental, o artista se destaca por explorar diferentes meios e técnicas que vão desde as esculturas cinéticas (estruturas em metal e espelho, nas quais a dinâmica se dá através do reflexo da luz e de suas variações naturais), até projetos de land art, bem como pinturas compostas por modulações cromáticas.

Dentre os destaques da exposição, com curadoria e texto de Matthieu Poirier, estão seus icônicos Rotors. Extremamente sedutoras, essas peças são estruturas dinâmicas que produzem mecanicamente refrações de luz, cujo brilho altera suas formas a partir de movimentos quase imperceptíveis e que são ocasionalmente amplificados pela luz artificial neles embutida. Além disso, a seleção apresenta as emblemáticas Steles de Mack, colunas que manipulam a relação entre a luz e o espaço, espelhando, alterando e integrando o entorno em suas superfícies. E também um recorte importante de pinturas, que evidenciam seu interesse em investigar os efeitos da alternância de modulações cromáticas, executadas de forma a gerar o que ele define como “vibrações da cor”.

Heinz Mack em seu ateliê, 2013 | FOTO Cortesia do artista e Nara Roesler

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