Gustavo Speridião | Sé Galeria e Espaço Fonte

Duas exposições que dialogam entre si ocuparão espaços distintos simultaneamente na cidade de São Paulo. É o que propõe o artista do Rio de Janeiro, Gustavo Speridião ao produzir dezenas de trabalhos divididos entre pinturas, volumes tridimensionais e vídeo que estarão expostos na Sé Galeria, localizada nos Jardins, e também no galpão do Espaço Fonte, na Vila Madalena. A entrada é gratuita.

A prática de Gustavo Speridião é feita de desenhos, colagens, pinturas, instalações e esculturas. São trabalhos caracterizados por justaposições espirituosas, atenção à linguagem, ao enquadramento e à cor. O artista parte de uma poética visual que, segundo Miguel Chaia, curador das exposições, é baseada no “desencanto trágico e no humor sem riso que nascem da absurda realidade, para oferecer outras possibilidades da arte constantemente revigorada”, se colocando criticamente diante da História da Arte e da cultura contemporânea.

A começar pela exposição “Time Color” (aberta a partir de 27 de fevereiro), de caráter mais intimista e que ocupa os dois andares da Sé Galeria, o visitante irá se deparar com objetos tridimensionais-textuais de volumes quadrados e de menores dimensões, feitos em gesso, que evocam os cadernos que o artista utiliza em seu processo criativo, além de impressos e o vídeo Time Color. Já na exposição “Sobre Pintura” (aberta a partir de 06 de março), no Espaço Fonte, o artista explora pinturas-monumento através de telas em grande formato com características murais e que aspiram ao espaço público.

De acordo com Miguel Chaia: “as pinturas e os tridimensionais trocam referências e signos entre si – possuem o quadrado, os retângulos com as bordas irregulares, a cor preta sozinha ocupando as áreas, grafismos rápidos e palavras indicativas – mas mantendo suas autonomias. Um abre gentilmente espaço para outro, mesmo utilizando os mesmos recursos visuais (…). A parcimônia no uso de materiais, a síntese na construção das formas, a sobriedade no plano e no espaço, o uso exclusivo de uma cor, trazem lembranças do brutalismo. Esta aproximação mais transparece ao se acrescentar a dimensão política enquanto desejo do artista de intervenção pública e de transformação social.”

No texto crítico que acompanha a exposição, o curador usa a metáfora de um quebra-cabeças da arte para se referir a produção recente de Speridião: “assim, reforçando a imagem do quebra-cabeças para pensar a arte de Gustavo Speridião: cabe indagar, qual peça se destaca, a da pintura ou a da poesia? Impossível responder quando são duas peças fundamentais e complementares”.

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