Gustavo Rezende | Galeria Verve

Gustavo Rezende, Maxwell Dwelling [Lateral] | FOTO: Everton Ballardin

Para sua primeira exposição na galeria Verve, o artista Gustavo Rezende apresenta Pensione Seguso, com texto crítico de Ana Carolina Ralston. Título de uma das obras que compõem a mostra, Pensione Seguso é um comentário acerca do isolamento e da incomunicabilidade cada vez mais característicos da contemporaneidade. Estes são temas que no contexto pandêmico ganham contornos ainda mais evidentes, fragilizados que saímos desta situação compartilhada mundialmente.

O artista revisita fotografias do rolo da câmera de seu celular em uma viagem a Veneza, tiradas casualmente em um restaurante da cidade para criar seis retratos recortados em metal, conjunto de trabalhos que nomeiam a mostra. O resultado faz referência à estética dos filmes de Michelangelo Antonioni, na relação entre imagem e texto cinematográficos, e ainda discorre sobre a realidade em que os retratados, muitas vezes anônimos ou refugiados, tornam-se personagens cada vez mais comuns de um mundo hiperconectado. Nas palavras de Ana Carolina Ralston, “A solidão do olhar de tais personagens resiste ali – não como sinônimo de tristeza, mas ensimesmados, quase delirantes e englobados nesse destino turístico que personifica o trânsito de pessoas de todo o mundo.”

Há uma imbricação entre as técnicas e a narrativa empregadas pelo artista, criando um lugar onde diversas referências constitutivas de sua obra se encontram, como a História da Arte, a Literatura, o Cinema e a vida cotidiana, e é nesta esfera em que todos estes aspectos são invocados, na qual se cria uma ambiência na relação com o espaço expositivo. “A contemplação e o olhar absorto são o elo que estrutura a mostra, em uma conexão entre o tridimensional e o bidimensional.”, comenta Ana Carolina Ralston no texto que assina para a mostra; “O olhar reflexivo paira tanto sobre as obras, produções resultantes de quase dois anos pandêmicos em que fomos obrigados a viver de nossas memórias de forma enclausurada, quanto sobre o espectador, que agora
se vê de volta aos espaços públicos, ainda sob vigilância, mas com certo poder de interação (…) Outro fator interessante que agrega a tal criação do ambiente expositivo é a presença da água: seja a que rodeia a cidade de Veneza como a que reflete a própria imagem dos personagens de Rezende, em posições narcísicas que se perdem ao encontrar o reflexo. É nessa solidão distraída que vivem os dois opostos, a beleza e o absurdo da vida e da arte”, conclui a curadora.

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