“Entrar na Grande Noite” inaugura no dia 14 de março, às 15h, na galeria da biblioteca do MAR e apresenta obras inéditas
A potente produção com pinturas e serigrafias da artista Guilhermina Augusti chega ao Museu de Arte do Rio (MAR) no dia 14 de março, às 15h, na galeria da Biblioteca do museu. A exposição Entrar na Grande Noite é a primeira individual institucional da artista, educadora, escritora e filósofa, e reúne uma produção com obras inéditas que convidam o visitante a pensar sobre as relações raciais. A mostra tem a curadoria de Marcelo Campos, Amanda Bonan, Thayná Trindade, Amanda Rezende e Jean Carlos Azuos.
A exposição é um desdobramento de “O Cometa: pelo fim do essencialismo — Raça, Gênero e Artes Visuais”, livro de estreia de Guilhermina. “A mostra e o livro se cruzam no sentido de que a minha pesquisa teórica envolve a minha prática artística, no sentido de que parte da minha abordagem estética, da composição, da cor, dos elementos pictóricos, dos signos e das pessoas vem de uma corrente da filosofia que são os estudos negros radicais. Que é uma corrente norte-americana que chega aqui no Brasil, sobretudo nos últimos 10 anos, e que é uma perspectiva filosófica mais radical sobre as condições e perspectiva do gênero e da raça na sociabilidade humana”, destaca a artista.
Com a proposta curatorial assinada pela equipe do Museu de Arte do Rio, a exposição expande a prática da artista entre os campos da arte da produção filosófica. Guilhermina prolonga o pensamento de uma tradição estética afro-brasileira, articulando imagem e teoria como campos indissociáveis. “É uma produção jovem, de uma artista com uma pesquisa bastante voltada tanto para relação com as tradições, com práticas e tradições afro-religiosas e afro-diaspóricas. Guilhermina é uma filósofa e ela traz isso para um lugar de um pensamento mais ampliado nessa exposição”, afirma Marcelo Campos, curador-chefe do MAR.
A exposição marca um momento importante na trajetória da artista, que passa a ocupar um dos principais espaços de arte do país com um conjunto de trabalhos que dialogam com questões sobre imagem, memória e filosofia. “A ideia da exposição é trabalhar com o pós do fim do essencialismo, como se fosse possível o fim do essencialismo, ou como se fosse possível o fim dessa condição racial determinista e trabalhar a partir de outros elementos que não vão reduzir as vidas humanas a partir da categoria da dor, da violência ou da própria condição racial. Obviamente, a parte do livro que aparece na exposição é no sentido de uma perspectiva estética, de tradição e invenção, e é a partir de elementos de celebração, mas que não são elementos simples”, revela a artista.
Com obras que possuem destacada potência cromática, signos e símbolos, Guilhermina apresenta uma poética marcada pelo pensamento crítico e os cruzamentos entre arte e filosofia. A exposição “Entrar na Grande Noite” provoca um percurso sensorial no qual o público é convidado a se reconhecer em cada obra. A abertura é gratuita e acontece na galeria da Biblioteca do Museu de Arte do Rio, no dia 14 de março, às 15h, com uma conversa de galeria com a artista e os curadores.

