Grão de escala | Galeria Eduardo Fernandes

Vinte sete anos se passaram desde que o arquiteto Eduardo Fernandes decidiu tomar um novo rumo em sua carreira e de forma quase orgânica se tornar um art advisor, ou “marchand”, como se denominava na época. Em 1998 Fernandes tinha entendido que o “escritório de arquitetura” não era o seu lugar e resolveu fundar então um “escritório de arte” e anos mais tarde, em 2005, inaugurar a própria galeria em uma casa na Vila Madalena, em São Paulo, a qual ele próprio reformou. Foi neste espaço – mais especificamente na Rua Harmonia – que Eduardo iniciou sua trajetória como galerista, reunindo trabalhos e artistas que admirava, e vendo crescer o negócio ao longo dos anos. “No começo eram dez representações e a coisa foi florescendo. A casa foi diminuindo e a galeria aumentando”, explica o paulista de 58 anos, ex-aluno da Escola Waldorf.

Os vinte anos de formação inicial de Eduardo Fernandes moldaram as suas aptidões e foi neste período que o gosto por visitar exposições em museus e galerias foi germinado. Ainda pequeno, Eduardo passava bastante tempo pintando e estudando de forma sistemática. “Me lembro que na época da escola, o lugar que me sentia inteiro eram nessas três horas, três dias por semana, quando estava imerso nesse mundo onírico pintando e desenhando. O tempo não existia. Tudo era presente”, explica o galerista, que mais tarde estudou arquitetura e artes plásticas na universidade.

Reconhecida no circuito das artes plásticas pelos bons trabalhos de artistas contemporâneos, a Galeria Eduardo Fernandes participa continuamente, desde 2011, de feiras de arte nacionais e algumas internacionais, além de manter o seu próprio programa de exposições de maneira sólida e constante. “Com essa trajetória conseguimos ajudar na edificação da carreira de muitos de nossos artistas que conquistaram lugares em coleções privadas e públicas muito importantes. Fico feliz em poder olhar para trás e lembrar das participações de nossos artistas em bienais, instituições, fundações e museus, tanto no Brasil quanto no exterior”.

Ampliando seu espaço expositivo, a partir do dia 25 de outubro, a Galeria Eduardo Fernandes passa a ocupar dois endereços na Vila Madalena: um na Rua Harmonia, 145 e outros na Rua Medeiros de Albuquerque, 442 (tendo como distância uma quadra e meia, entre eles). O local – um galpão antigo – foi restaurado e será inaugurado com a abertura da exposição “Grão de escala”, que trará curadoria de Tálisson Melo, pesquisador premiado com exposições em instituições como CCBB, MAC USP e Museu Nacional da República.

A exposição promete promover um passeio pelas ruas da Vila Madalena, já que terá início na sede (Rua Harmonia 145) e finalizará na nova unidade da galeria. “A mostra apresentará trabalhos de 21 artistas representados nos últimos anos e terá como eixo curatorial parte dos versos do poeta romântico inglês William Blake: Ver o mundo num grão de areia / E o céu numa flor silvestre, / Segurar o infinito na palma da mão / E a eternidade numa hora”, explica o curador, lembrando que o percurso entre as duas unidades (menos de duas quadras) é curto, mas suficiente para potencializar uma experiência sensorial atenta ao deslocamento territorial e às relações entre partes: cerca de 40 obras dispostas nos dois ambientes.

Artistas participantes: Ana Amélia Genioli, Arturo Gamero, Chico Cunha, Claudia Melli, Daisy Xavier, Edgar Racy, Fernando Arias, Guilherme Dable, Gustavo Prata, Heloisa Crocco, Jacqueline Duncan, Jorge Rodríguez Aguilar, Luz Lizarazo, Mai-Britt Wolthers, Patricia Rebello, Renata Egreja, Roberto Mícoli, Rosana Nadai, Rose Klabin, Shu Lin e Vicente de Mello.

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