Gonçalo Ivo | Galeria Simões de Assis

Cosmogonia/ África II, 2020

O bom filho à casa torna, e Gonçalo Ivo volta a expor em São Paulo depois de mais de uma década desde sua última individual na capital paulista, em 2008, na Pinacoteca do Estado de São Paulo. Desta vez, o artista carioca apresenta sua produção mais recente, com obras produzidas nos três últimos anos e que contextualizam as suas pesquisas atuais: as grandiosas Cosmogonias, que revelam um tempo suspenso e a possibilidade de um silêncio vibrante que quase sempre nos escapa hoje em dia, ensejando o título dado à exposição.

Ivo é um artista de rara sensibilidade, tendo convivido desde a infância com poetas, artistas, críticos literários e músicos. Acompanhou seus pais, a professora Maria Leda e o poeta Lêdo Ivo, em várias visitas aos ateliês de Lygia Clark, Ione Saldanha, Maria Leontina, Abelardo Zaluar e Iberê Camargo, de quem recebeu as primeiras lições de desenho e pintura.

Sem Título, 2016

Formou-se arquiteto e urbanista e estudou, em 1976, com Aluísio Carvão e Sérgio Campos Melo, no MAM-Rio. Participou da antológica exposição “Como vai você, Geração 80?”, na EAV Parque Lage, no Rio de Janeiro, sendo o primeiro artista de sua geração a expor individualmente no MAM-Rio, em 1994. Com uma carreira artística marcada por incursões minuciosas por temas filosóficos, da psique, da natureza e da espiritualidade, realizou diversas exposições em museus brasileiros e internacionais, tornando- se uma referência na pintura nacional.

Em “Tempo”, é possível conhecer extensa e profundamente a produção recente do artista. Feitas em óleo e têmpera sobre linho, as obras do primeiro núcleo da mostra são marcadas por matizes pulsantes e por um determinado ritmo nas formas. Junto dessas intensas e complexas pinturas, também são mostradas as belíssimas aquarelas que fazem referência ao romance “Os jogos das contas de vidro”, de Herman Hesse, produzidas durante uma residência em Nova York – além de um conjunto de objetos totêmicos que ocupam um espaço central na galeria. Essas pequenas esculturas são feitas de madeira recolhida, pintadas com óleo, têmpera e aplicações de folha de ouro, cobre e prata. É o processo de oxidação destas lâminas metálicas que revela cores, nuances e tons antes ausentes, mutáveis com o passar do tempo.

Sem Título, 2021

Já no segundo andar da exposição encontram-se as maiores telas da série “Cosmogonia” – monumentais campos pictóricos de tonalidades mais terrosas, rebaixadas, pontuadas pela presença reiterada de folhas de ouro e cobre. As formas circulares e o ritmo presentes nos trabalhos mais coloridos são aqui também reforçados, mas há uma espécie de nova atmosfera neste núcleo, uma certa gravidade que nos impele a mergulhar nestes trabalhos mais misteriosos e sombrios. Contudo, há mais uma vez a presença de cores reluzentes como os dourados, prateados e os tons de bronze metálicos, oxidados e em constante transformação. A proposta curatorial é disponibilizar ao visitante a experiência de ver e reconhecer o artista, a partir das características centrais de sua produção, como o colorismo, a experimentação material, a elaboração conceitual, a gestualidade e a sofisticação da construção do campo da pintura: um verdadeiro convite ao universo infinito e particular de Gonçalo Ivo.

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