Gisela Eichbaum | Galeria MaPa

O início figurativo do percurso artístico de Gisela Eichbaum trazia evidente influencia do expressionismo – corrente marcante em sua Alemanha de origem, que foi compartilhado no Brasil, também, com artistas e mestres de seu convívio pessoal como Yolanda Mohaly, Karl Plattner, Alice Brill e Lasar Segall, entre tantos outros. No caminho para a conquista da abstração, em meados dos anos 1960 a artista experimentou o impacto de rápida passagem pelo Atelier Abstração de São Paulo – importante iniciativa fundada pelo romeno de formação francesa Samson Flexor – que esfacelou as figuras de suas obras e abriu o caminho para a abstração plena, que consagraria seu trabalho a partir dos anos 1970. Esta nova exposição de Gisela reforça a importância de sua obra, que teve novo e vital impulso quando da chegada da artista no Brasil, com as cores transfiguradas pelos trópicos, um misto de refúgio seguro e surpresa constante. Como uma antologia, com leitura nova, aqui são mostrados recortes das obras figurativas e de certo construtivismo, do período da conquista da abstração e da abstração plena nas técnicas trabalhadas pela artista, que teve especial preferência pelo papel como suporte. Algumas das raras telas pintadas por Gisela são mostradas e permitem rever e consolidar seu duradouro projeto artístico. Sobre seu trabalho escreveu o também artista e constante amigo Alberto Teixeira: “…uma das notas mais características dessa imagística é a poética da luz, uma luz própria e inconfundível, construída com cromatismos e traçados sutis, em efeitos meridianos e noturnais, mas predominantemente de média luz e crepusculares, em paisagens sonhadas ou lembradas, simbólicas e evocativas de situações e vivências múltiplas, ou em abstrações que são como música de singular harmonia”.Faz mais de vinte anos que trabalho muito próximo e tenho grande interesse nos desenhos e pinturas de Gisela Eichbaum. Tenho pesquisado há tempos artistas que nomeei de “artistas de resgate” – uma expressão incompleta para me referir àqueles artistas com obras de qualidade, históricas e marcantes, de vida intensa, normalmente “de ateliê” e que possuem ou deixaram uma grande quantidade de obras finalizadas mas que por todos os poréns da contemporaneidade e das eleições efêmeras do mercado, acabam ficando um tanto à parte, adormecidos. E assim acabam sendo “vítimas” de um total equívoco. A obra de Gisela nunca ficou à parte, claro, mas devia estar num lugar de muito maior destaque. E motivos não faltam: abrange quase 60 anos de dedicação (da década de 1940 até 1996), surge com inegável qualidade, é historicamente representativa, coerente em seu desenvolvimento e original. Gisela tem um currículo internacional e frequentou o ambiente artístico e intelectual do Brasil e dos outros países que conheceu ou viveu.

Antonio Carlos Suster Abdalla, Curador

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