Gisel Carriconde Azevedo | Suyan de Mattos | Referência Galeria de Arte

No próximo dia 28 de julho, quarta-feira, a Referência Galeria de Arte abre a mostra “Manual de observação”, com aquarelas de Gisel Carriconde Azevedo e bordados de Suyan de Mattos e curadoria de Marília Panitz e Ralph Gehre. As obras inéditas produzidas a partir de 2019 são resultado de uma nova dinâmica na produção das artistas em grande parte pelo advento da pandemia. Durante o período, da exposição, serão realizadas duas Lives | Visitas Guiadas, com transmissão pelo Instagram @referenciaarte. A mostra fica em cartaz até o dia 4 de setembro, com visitação de segunda a sexta, das 10h às 19h, e sábado, das 10h às 15h. A Referência Galeria de Arte fica na 202 Norte, Bloco B, Sala 11 – Subsolo, Brasília-DF. Telefones: (+55 61)3963-3501 e (+55 61) 98162-3111. A entrada é gratuita, livre para todos os públicos, mas sujeita à lotação de 10 visitantes por vez.

Para a mostra, Gisel Carriconde Azevedo apresenta três séries produzidas a partir de 2019: “#pinturinhasliquidas: Jardins da Burguesa”; “#pinturinhassolidas: Jardins da Burguesa”; e “Morada do Sol, 360 graus”. A artista trabalha com aquarela em 2016, interessada pela fluidez do material, como uma forma de exercitar a perda de controle no processo artístico. Além de forçar a quebra de padrões mentais ligados à sua disciplina de produção, a escolha pela aquarela “supre uma necessidade de me afastar temporariamente da arte contemporânea, em busca das motivações que há cerca de trinta anos me fizeram largar tudo pra fazer arte”, afirma a artista. Pesou também na escolha a aproximação com uma linguagem considerada menor na história da arte, tradicionalmente delegada às mulheres. Por fim, foram as restrições do primeiro ano de quarentena, trancada em casa e sem ateliê, que abriram seus olhos para o jardim à disposição da minha varanda. “Pintar a “florestinha” da república burguesa marcou meu reencontro com a natureza, e a descoberta de uma nova paixão, a pintura de paisagem”, completa Gisel.

Suyan de Mattos apresenta a série “Bordado hospeda Aquarela”, que nasceu a partir da prática visual de exercitar o fazer e o olhar para o trabalho do outro, neste caso, a produção em aquarela da artista plástica Gisel Carriconde Azevedo. Suyan ressalta que o bordado é uma atividade próxima ao exercício da pintura: preencher espaços vazios a partir de técnicas que percebam a presença do volume e da textura, numa tentativa de se fazer crível com intenção de ser real por meio das cores. As três séries em aquarela apresentadas por Gisel têm correspondentes imagéticos nos bordados produzidos por Suyan. “O meu propósito não foi a cópia. A minha determinação de bordar as aquarelas foi tentar ver o que Gisel olhava. Assim, muitos dos bordados se aproximam ao abstracionismo, não se distanciando do figurativo, numa fronteira de chancelas abertas”, afirma a artista.

No texto sobre as produções das duas artistas, os curadores Marília Panitz e Ralph Gehre afirmam que em tempos de pandemia, com o isolamento social, o receio e as indefinições mudaram as dinâmicas de produção. “O recolhimento ao espaço de trabalho se torna diverso, sem alternância com o outro, o da rua”, escrevem os curadores. Eles ressaltam que neste período, Gisel Carriconde Azevedo a partir da varanda de seu quarto montou um observatório do jardim da casa, de onde, “à maneira dos artistas viajantes do século XIX, retrata o desconhecido-familiar: o pátio, a folhagem, o mesmo, todo dia diferente, sua própria morada”.

Suyan de Mattos, por sua vez, montou o projeto “40Antenas e algumas parabólicas”, uma plataforma virtual a partir da qual passou a acompanhar a produção de aquarelas. “As ferramentas de sua pesquisa estão centradas em sua cesta de linhas e agulhas, sua paleta atual. A produção, durante a pandemia, desenha o mundo com fios. Assim surge Bordado hospeda Aquarela, releitura paradoxalmente livre e fiel aos originais, que a artista experimenta com pintura de agulha”, apontam os curadores.

 

Compartilhar: