Françoise Schein | Paço Imperial

Os gigantescos painéis em azulejos assinados por Françoise Schein são impossíveis de passarem despercebidos – sejam nas empenas de prédios na saída da estação de metrô Siqueira Campos, em Copacabana, na estação da Luz, em São Paulo, ou na Concorde, em Paris. Todos têm o mesmo tema para o qual Françoise dedica a sua vida – os Direitos Humanos. O processo de criação é sempre feito com a participação de estudantes, jovens e crianças, de comunidades menos favorecidas. Através do envolvimento na criação da obra artística, os estudantes conhecem a Declaração Universal dos Direitos Humanos e, apoiados por um trabalho educativo, são estimulados a pensar sobre o assunto e a relacioná-lo com as suas vidas.  Será a primeira vez que Françoise terá uma retrospectiva de seu trabalho na cidade que tem uma importância fundamental na sua trajetória.

A exposição foi criada a quatro mãos por Françoise e sua filha carioca Lohana. A história das duas se entrelaça com as ações artísticas-pedagócicas de Françoise no Brasil e ilustra um dos primeiros paineis da exposição, que conta a emocionante história da adoção de Lohana. Para a menina preservar os laços com sua família, Françoise passou a vir todos os anos ao Rio e fundou a Associação Inscrire Brasil, um braço da instituição criada anos antes e que tem como objetivo “Inscrever os Direitos Humanos nas Cidades do Mundo”. Na Inscrire Brasil, Françoise conta com uma equipe que acompanha todas as fases do projeto, formada por diversos profissionais, entre eles a arquiteta Rita Anderaos e a pedagoga Moema Quintanilha.

Os Direitos Humanos representam o fio condutor de toda a experiência de Luz no Brasil. Ela se inicia com um elogio à utopia, passa por uma série de demonstrações de que juntos podemos criar e amplificar a nossa voz por meio da arte e, por fim, pergunta “E agora?”. “Não há resposta certa ou errada para desafios complexos e Françoise sabe que tampouco existe apenas uma resposta. Por isso, o convite ao pensamento, o convite para que cada um perceba o que pode fazer para construirmos uma sociedade mais justa”, comenta Lohana Schein.

Luz no Brasil apresenta a trajetória artística-educacional de Françoise através de desenhos originais, textos, imagens de diversas obras públicas no Brasil e no mundo, vídeos, fotos, esboços e peças da coleção pessoal da artista. O maior destaque da exposição é a obra da Estação da Luz, a primeira intervenção artística participativa e pedagógica sobre Direitos Humanos em uma estação de metrô no país, que demorou dez anos para ser concluída e inspirou o título da exposição. Os dez painéis da Luz contam também a história de São Paulo, através de desenhos figurativos realizados por 3.000 alunos das escolas da periferia da cidade. Para criar estes painéis históricos, a artista concebeu um alfabeto de centenas de pequenos desenhos serigrafados que se repetem sobre os eles.

Os projetos do Vidigal, o primeiro no Brasil; da Siqueira Campos, o mais conhecido na cidade, que apresenta um mapa de 200 m2 da região com letras dos Direitos Humanos e imagens da história da escravidão;  a obra da estação de metrô da Galeria dos Estados, em Brasília, uma encomendada do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, um grande painel de 110m2 criado com a participação de 1.000 jovens do Distrito Federal, nos quais grandes balões azuis e verdes anunciam questões da ecologia mundial; projetos em diversas cidades do mundo e mais de 20 instalações públicas participativas localizadas nas comunidades desfavorecidas da periferia do Rio, que fazem parte do projeto “Inscrever os Direitos Humanos em 1001 escolas”, revelam a trajetória de Françoise e da Inscrire.

André Couto, Presidente da Associação Inscrire Brasil, destaca que “a exposição Luz no Brasil se apresenta como um duplo farol. Uma ponta ilumina o percurso percorrido pela artista Françoise Schein, desde trabalhos ao redor do mundo aos realizados no Brasil, e a outra ponta ilumina o futuro, um futuro em que a inscrição dos Direitos Humanos e a plena Democracia dependem da ação de todos nós”.

“O trabalho que estamos a fazer, lenta mas seguramente, nas escolas brasileiras e noutras partes do mundo, é o alfabeto das competências para a vida e deve ser a primeira coisa a ser ensinada aos milhares de milhões de jovens estudantes de todo o mundo. Então, não será ensiná-lo de uma forma lúdica, criando obras de arte para o prazer da beleza para todos e por todos, a melhor maneira de fazê-lo?”, questiona Françoise Schein.

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