Francisco Galeno | Referência Galeria de Arte

No próximo dia 9 de agosto, às 16h, a Referência Galeria de Arte abre a mostra “Meu Galeno”, com obras do artista falecido em maio deste ano e que fazem parte de acervos privados de colecionadores do Distrito Federal. A exposição ocupa a Sala Acervo e reúne peças produzidas em seus ateliês de Parnaíba (PI) e de Brazlândia (DF).  Em cartaz até o dia 13 de setembro, a visitação acontece de segunda a sexta, das 10h às 19h, e sábado das 10h às 15h. A entrada é gratuita e livre para todos os públicos.

“Galeno fez arte de gente grande e fez “arte” de criança. Seu trabalho é leve, ingênuo, feliz. Quase infantil. Os “brinquedos” que ficaram espalhados precisam ser agora reunidos para que possamos reafirmar a grandeza e a força da sua obra.”

Onice Moraes, galerista

Francisco Galeno foi um dos artistas plásticos mais importantes de Brasília. Falecido em junho de 2025, sua obra é repleta de referências às suas ancestralidades, infância no Delta do Parnaíba (PI) e sua vida em Brasília. “Na minha arte não entra um prego que não seja carregado de história afetiva”, dizia Galeno, criado em Brazlândia, onde tinha seu ateliê e costumava receber os amigos e colecionadores nos períodos em que visitava aos familiares, alternando com seu ateliê em sua cidade natal, Ilha Grande, Parnaíba, Piauí. Em sua última exposição realizada em Brasília, reforçou o caráter de sua obra camaleônica, uma verdadeira festa popular brasileira. “O camaleão foi um bicho que influenciou muito a minha pintura. Ele muda de cor para escapar do bicho predador”. Assim, também, seu trabalho se metamorfoseia, ganha uma nova pele e incorpora uma nova modulação de cores. Essas são algumas das razões de a obra de Galeno encantar o público e criar um forte vínculo com o artista.

É a partir do relacionamento dos colecionadores com a obra do artista que a mostra “Meu Galeno” se estrutura. A galerista Onice Moraes contatou alguns colecionadores que têm em seus acervos obras do artista, de diferentes séries, suportes e técnicas.  “Cientes da importância de mostrar esses belos trabalhos que deixaram o ateliê do artista, na galeria e em suas residências, os colecionadores disponibilizaram os “seus Galenos” para serem vistos pelo público”, afirma Onice Moraes. “Nesta exposição, foram reunidos trabalhos de diversas séries e períodos, trabalhos que muitas vezes não chegaram à vista do público, porque do ateliê do artista seguiram para a galeria e de lá para a casa dos clientes”, ressalta a galerista.

Galeno não foi apenas pintor. Ele atuou em várias direções: escultura, roupas, instalações. Quando era moleque, seu sonho era ser jogador de futebol e desenhou uma camisa para o time do Brazlândia: “A camisa do Brazlândia não tinha identidade. Um jogo de futebol é como se fosse uma exposição para milhares de pessoas”. Em seguida, trabalhou em um projeto para homenagear os loucos de estrada, que ele chama de “loucos de BR”. O trabalho é inspirado no artista Arthur Bispo do Rosário: “A ideia surgiu de minhas viagens de carro para o Piauí, onde eu sempre encontro esses loucos de BR. São artistas, sempre juntam algum objeto para se enfeitar. Quero também fazer uma roupa muito louca, com um chapéu colorido e usar latas de sardinhas e anzóis como adereços. Vou combinar com as crianças para que elas me acompanhem pelas ruas, soltando pipas no ar.”

Cederam gentilmente seus Galenos para a mostra as coleções Antônio Henrique e Gavin Louis; BLM; Clara Becker; Clauder Diniz; Klécio Santos; Leda Oliveira; Montes Garcia; Moraes e Oliveira; Philipe Rossi e Ulisses Toledo.

 

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