Francisco Amêndola | Galeria MaPa

Um dos artistas mais representativos da fase de efervescência cultural vivida pelos municípios paulistas de Araraquara e de Ribeirão Preto, entre as décadas de 1940 e 1960, Francisco Amêndola começa a interessar-se por arte, principalmente desenho, ainda jovem, quando em 1938, estudou no colégio Ateneu Paulista, em Campinas (SP). Transferiu-se, em 1941, para o Colégio Estadual em Araraquara, onde permaneceu até 1944. Nesse ano, com a morte do seu pai, volta a Ibitinga, sua cidade natal e assume a administração da fazenda São José Figueira, onde nasceu. Mais tarde retorna à Araraquara, e passa a ter aulas de pintura na Escola de Belas Artes com Mário Ybarra de Almeida (1893-1952) e, a partir de 1950, com Domenico Lazzarinni (1920-1987) momento que marca uma profunda transformação no ensino da pintura e proporciona aos alunos uma nova conceituação estética e de vanguarda. Analisando a carreira de Amêndola, o crítico Pedro Manuel destaca a sua formação: “Amêndola foi aluno da escola na passagem da década de quarenta para cinquenta, aprendendo com Almeida e Lazzarini, ou seja, bebeu à fonte da conservação e identidade, assim como a da transformação e liberdade. Tornando-se o herdeiro do primeiro centro artístico interiorano do país e seu maior expoente”. Em 1951, Amêndola participa do Salão de Belas Artes de Araraquara, ao lado de Alfredo Volpi (1896-1988), Tarsila do Amaral (1886-1973), Flávio de Carvalho (1899-1973) e Aldemir Martins (1922-2006). A exposição teve grande repercussão na mídia e atraiu a atenção de críticos, como Ivo Zanini (1929) e Sérgio Milliet (1898-1966). É nesta época que a pintura de Amêndola, sempre elaborada com grande variedade de cores, adota como referência a tendência geométrica-abstrata.

A partir dos anos 1960 sua arte liga-se à abstração informal, mais em voga nessa época. Nas palavras do crítico de arte Tadeu Chiarelli “o grafismo da produção de Amêndola entre os anos 50 e 60 pode ser entendido como recriação do grafismo presente na produção pictórica de Lazzarini nos anos 50”.

Em 1958, Amêndola muda-se para Ribeirão Preto e passa a lecionar na escola de Artes Plásticas que, em pouco tempo, transforma-se no epicentro de manifestações artísticas do Estado, promovendo clubes de fotografia, mostras de acervos pertencentes à museus nacionais e estrangeiros, noite de autógrafos, festivais de cinema e animação além de cursos de gravura e litografia. Em 1966, Amêndola funda com outros artistas o Atelier 1104. Amêndola expôs na 1ª Bienal Internacional de São Paulo, em 1951 e, mais tarde, nas bienais de 1957, 1965, e 1967, além de ter participado de inúmeras exposições de arte e salões de arte fotográfica. Além de lecionar, Amêndola também fotografava, aceitava encomendas para ilustração na imprensa e trabalhos em publicidade. Atividades paralelas, interligadas. Em depoimento dado ao escritor Ignácio de Loyola Brandão, em 1986, Amêndola comentou que “estudava estas relações entre o artístico a serviço do comercial, o artístico que fazemos para nós”.

Amêndola via-se como um livre pensador em permanente observação da sociedade. Sua arte manifesta-se através do uso constante de técnicas expressivas e da rica elaboração de pigmentos e cores que emergem em harmonia. Para o artista um quadro é uma orquestração, o equilíbrio, a colocação da imagem. A colocação dessa imagem é uma descoberta.

Marly Porto, Curadora

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