Fran Chang | Galeria Verve

A galeria Verve exibe ‘no mar com as estrelas’, exposição individual da artista mineira Fran Chang com curadoria de Ana Carolina Ralston. A mostra dá sequência ao programa de exposições da nova sede da galeria, que passou a ocupar um espaço no mezanino do histórico Edifício Louvre, no centro da cidade de São Paulo.

Em ‘no mar com as estrelas’, Chang apresenta 12 pinturas inéditas, fruto de sua pesquisa recente. A artista, que é bacharel em Artes Visuais pela Faculdade de Belas Artes de São Paulo e tem extensão em Astrofísica e Astronáutica pela UFSC, conecta essa dupla formação em sua pesquisa artística. Em seus trabalhos, investiga atmosferas a fim de provocar diferentes sensações, a partir da representação de paisagens e territórios inóspitos de nosso planeta, ou ainda em cenas enviadas por sondas em missão espacial a outros planetas do Sistema Solar. Como define a curadora Ana Carolina Ralston, “Esta formação lhe dá um olhar que viaja anos luz, destrinchado delicadamente pelas finas cerdas de seu pincel que atravessam a seda, tecido primordial de seu ateliê (…) A transparência da trama é um dos pontos inerentes de sua obra, que deixa a luz do ambiente fazer seu papel transformador em cada trabalho. A luz é parte fundamental da criação da artista, tanto aquela que desenvolve a partir das cores que elege para compor as pinturas, quanto a que perpassa pelo mundo que habitamos e realça imagens específicas.”

De ascendência asiática, Chang também incorpora ao trabalho algumas tradições orientais, tanto na familiaridade com o suporte da seda quanto na minuciosa técnica utilizada em suas pinturas,  todas executadas em inúmeras e aguadas camadas de tinta acrílica, que conferem graus de transparência calculadas cuidadosamente pela artista nas composições. A relação próxima com sua mãe, nascida em Taiwan, se traduz na intensa delicadeza dos trabalhos, reflexo de toda uma vida de estudos e ensinamentos passados de forma orgânica de mãe para filha, como o amor pelas técnicas manuais, a moda e a costura. O resultado de toda essa carga afetiva é nítido e perpassa todo o corpo de seu trabalho: como observa a curadora da mostra, “mais que tudo, o trabalho de Chang é a tradução livre da tríade discutida por Platão, que transcorre sobre o bom, o belo e o verdadeiro. Seu universo é cheio de verdades. Não existem meias palavras em seu repertório, apenas um clarão  que chega como luz diretamente aos olhos do espectador. A magia de sua produção é ciência, mas também poesia”, conclui.

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