Flávio Lima lança livro ‘Rosa dos Ventres’ | Centro Cultural CASARTI

O cantor, compositor, geógrafo e educador Flávio Lima lança neste sábado, dia 30 de maio, seu livro autoral Rosa dos Ventres. Fruto de uma parceria sensível entre o Instituto 215 e o centro cultural CASARTI (Casa do Artista Independente), o evento acontece no próprio espaço fundado pelo autor em Cordovil e reconhecido como Ponto de Cultura. O encontro celebra a força da articulação cultural do escritor nos subúrbios cariocas e será uma noite de autógrafos com show de Rose Maia, Reizilan Cartola Neto, Mequetrefe e participações especiais de vários convidados.

A obra, publicada pela Mórula Editorial, compila a produção de Flávio Lima a partir de uma seleção minuciosa de materiais inéditos que atravessam as transformações do cenário urbano carioca nas últimas décadas. Estruturado de forma multifacetada, Rosa dos Ventres transita entre os gêneros da crônica, do conto, do poema e das letras de canções.

A publicação funciona como um registro sensível do cotidiano periférico, costurando temas como ancestralidade, negritude, diversidade e a potência da cultura popular. O projeto editorial reúne ainda uma cronologia histórica do artista, fotografias de seu acervo pessoal e ilustrações desenvolvidas por artistas plásticos convidados.

Para Flávio Lima, entrelaçar música, poesia e memória em uma obra é uma forma de dar voz ao cotidiano que a história oficial tantas vezes tentou silenciar. Ao falar sobre o verdadeiro significado de trazer esse livro ao mundo, ele resgata suas próprias origens:

“A música está na minha vida desde a infância; cresci ouvindo meu pai cantando em serestas e ouvindo os clássicos da música brasileira em casa e no serviço de alto-falantes da favela da Rocinha, onde nasci. Quero dizer que mesmo na zona sul, eu era parte de uma população social e economicamente periférica. Vivi e convivi com os fazeres da cultura popular onde passei, das folias de reis as rodas de samba, do movimento negro, dos festivais de música estudantil. Então, publicar “Rosa dos ventres”, em um momento onde estamos sob risco de termos o retorno do autoritarismo e do ódio à cultura, é mais que lançar um livro, é empunhar uma lança na defesa de ideias de igualdade e soberania dos povos”, celebra o autor.

Ao longo de cinco décadas, a sua arte transformou o subúrbio carioca em matéria-prima literária e musical. “Meu livro é um singelo porém possante tambor de ressonância desta cultura!”, completa Flávio.

Segundo Teresa Guilhon, coordenadora do projeto editorial e diretora executiva do Instituto 215, a palavra de Flávio Lima se junta a tantas outras vozes que vêm colocando as periferias no centro, não só da qualidade artística, como da expressão urbana. “Ao compilar cinco décadas de produção, Rosa dos Ventres revela uma trajetória artística altamente representativa das vozes daqueles que chamamos de ‘mestres das periferias’”.

O escritor, pesquisador e professor Fábio Rodrigo Penna define a obra como um gesto de resistência cultural e afetiva. “Este livro é um movimento apaixonado que representa os imaginários das vidas que existem e resistem nos territórios marginalizados do subúrbio carioca. Se os ventres são todos os caminhos percorridos e retratados, a obra é a rosa que dele nasce. Antes de tudo, Rosa dos Ventres é a música interna de Flávio Lima”, escreve Penna.

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