Festival Panorama Jangada

ÈDÀ | FOTO: Gabriel Oliveria Santos

Será realizado entre os dias 24 de abril e 2 de maio o Festival Panorama Jangada, um projeto criado no período da pandemia com a missão de abrir o leque de oportunidades para artistas da periferia do Rio de Janeiro. Através de uma chamada pública, realizada no início deste ano, a iniciativa apoiou cinco criações fluminenses. São elas: Èdà (vídeo dança com cenas performáticas gravadas pelo território da Favela da Maré), O Berro (vídeo que aborda a realidade do cárcere do Brasil, com a participação de duas mulheres atingidas pelo sistema prisional e uma juíza criminalista), Práticas de Invasão (dança/paisagem que negocia com a condição de mundo que estamos vivendo), Elegbará (dança efêmera e visceral que dialoga com a cidade e faz das ruas um verdadeiro palco) e Museu dos Meninos – Sem título para uma radiocoreografia (experiência coreográfica através de palavras, som e música).

O Panorama Jangada faz parte do tradicional Festival Panorama, um dos principais eventos de artes do corpo, dança e performance do Brasil e um dos principais da América Latina. “O panorama segue navegando nos mares revoltos de hoje, desta vez como uma jangada, carregando consigo cinco projetos do Rio de Janeiro”, diz Nayze López, diretora geral do projeto. Para mais informações sobre a programação, com datas e horários de cada performance, basta acessar o site http://panoramafestival.com/. A iniciativa foi financiada com recursos da Lei Aldir Blanc, através da Chamada Emergencial no 4/2020 – Fomenta Festival RJ, da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro.

Sobre o Festival Panorama

Com sua primeira edição realizada em 1992, o Festival Panorama traz a proposta de ocupar a cidade do Rio de Janeiro com dança, artes do corpo e projetos dos mais variados formatos, apresentando as relações que o corpo constrói com o espaço, tempo e público através do movimento. Ao longo dos seus 25 anos apresentou companhias e artistas nacionais e internacionais, com papel fundamental na construção da memória da dança e da arte contemporânea no Rio de Janeiro, assim como a importância da relação entre esta e o seu público.

O evento busca não somente oferecer uma programação inovadora e experimental, mas também promover discussões que atinjam o pensamento e a participação social sobre as mais variadas vertentes performativas. Antes da pandemia do Covid 19, todos os anos, nomes internacionais da dança desembarcaram no Brasil através do projeto. Em 22 edições, já foram apresentados nomes como Xavier Le Roy, Jerome Bel, Ballet de Lorraine, Boris Chamatz (França), Boyzie Chekwana (áfrica do sul), BranchNebula (Austrália), Deja Donne (Itália), Filipa Francisco, Tiago Guedes (Portugal), Panaíbra Gabriel (Moçambique), Manuel Vason (Reino Unido), Thomas Hauert, Rosas (Bélgica), Marcel Gbefa (Benim), Contact Gonzo (Japão), Roger Bernat, Olga Mesa (Espanha), taldanscompany (Turquia), Trajal Harrel, Meg Stuart (EUA), Emio Greco (Holanda), entre outros artistas de todos os continentes.

Museu dos Meninos | IMAGEM: Divulgação © Ana Luzia Chaves

PROJETOS

ÈDÀ: ÉDÀ é um vídeo dança com cenas performáticas gravadas pelo território da Maré. Sete artistas, moradores da Maré e de outras comunidades, se reuniram na pandemia para pulsar e tecer a dança como respiro e esperança. O projeto foi pensado e desenvolvido de forma coletiva e horizontal pelos próprios artistas, seres afetados pela poluição do ambiente e por toda complexidade que é vivenciada nas favelas da Maré.

O BERRO: O Berro é um projeto presencial que nasceu nos encontros do Coletivo em Silêncio, na Fundição Progresso, em 2019, e teve a sua primeira atividade oficial online em fevereiro de 2021. No fim de 2019, antes da pandemia, começaram a desenvolver um veículo informativo para abordar pautas sobre a realidade do cárcere no Brasil. Através do Panorama Jangada, voltaram aos encontros, só que agora online. Nesta redação virtual e experimentação estética, uniram duas mulheres atingidas pelo sistema prisional e de justiça e uma juíza criminalista. Ao longo do processo de criação, desenvolveram diversas atividades conjuntamente para chegar ao roteiro de um jogo de perguntas e respostas, verbais e não-verbais, a ser apresentado em formato de vídeo para ser assistido em uma plataforma online. A entrevista performática de O Berro no Jangada se propõe a ser uma conversa desconstruída, que inclui experimentações corpóreas autorais, e foge dos padrões de uma entrevista jornalística sem perder a responsabilidade com a linha editorial do veículo, que é dar voz ao universo do cárcere através de protagonistas atingidas por esse sistema. O Berro pretende provocar discussões profundas na sociedade, juntamente com o poder judiciário e profissionais que decidem o destino dessas pessoas atingidas pelo sistema punitivo e penal.

PRÁTICAS DE INVASÃO: O laboratório de “práticas de invasão” traz a possibilidade de articular armadilhas e produzir algum tipo de resposta para este tempo. O grupo se encontrou para criar uma dança/paisagem que negocia com a condição de mundo que estamos vivendo atualmente. Instaladas na Galeria Refresco dominaram dois andares do prédio e elaboraram uma ocupação, construindo uma dança/paisagem que atravessa o tempo linear acionando o passado, presente e futuro sem as fixações de espaço-tempo formal. Davi Pontes, Patfudyda e Irmãs Brasil oferecem apostas em uma armadilha de comunhão, se encontram em golpes reais, corpo a corpo, para juntas entenderem como converter os impactos desse tempo pandêmico em outra energia, construindo estratégias de autodefesa e testemunho.

ELEGBARÁ: Fora dos locais óbvios e esteticamente bonitos, fora dos grandes centros, uma dança efêmera e visceral dialoga com a cidade e faz das ruas o palco urgente.

MUSEU DOS MENINOS – SEM TÍTULO PARA UMA RADIOCOREOGRAFIA: Museu dos Meninos – sem título para uma radiocoreografia é um experimento sonoro criado pelo performer Mauricio Lima, em colaboração com o diretor e dramaturgo Fabiano de Freitas e o artista multimídia Edgar, que propõe uma experiência coreográfica através das palavras, do som e da música, investigando outros regimes de visibilidade para corpos e territórios historicamente invisíveis para a sociedade. Quais corpos são vistos? Como materializar a dança no espaço através do som?

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