Festival Arte Serrinha | Centro Cultural Carlos Gomes

Um dos mais tradicionais eventos dedicados à arte no calendário de São Paulo completa, em 2021, duas décadas de história. Trata-se do Festival Arte Serrinha que, para celebrar esta importante marca, ganha uma exposição retrospectiva a partir do dia 16 de outubro, no Centro Cultural Carlos Gomes, em Bragança Paulista.

A mostra, com curadoria de um dos idealizadores do Festival Arte Serrinha, Fábio Delduque, tem entrada gratuita e fica em cartaz até o dia 25 de novembro. Ao todo, estarão expostas 30 obras originais de importantes artistas que marcaram a história do festival ao longo de sua trajetória, em suportes como pintura, fotografia, gravura, instalação, vídeos, além de cartazes e matérias de jornais e revistas e publicações.

“Celebrar os 20 anos de história do Festival Arte Serrinha em um lugar tão emblemático como o Centro Cultural Carlos Gomes é uma grande honra. O festival, conhecido por trazer os maiores nomes da arte para a zona rural bragantina agora será representado na primeira exposição de arte contemporânea montada neste espaço que também já foi pioneiro na cultura paulista”, explica o curador Fábio Delduque.

O curador faz questão de ressaltar a relevância da mostra ocupar o recém-inaugurado Centro Cultural Carlos Gomes, edifício construído entre 1892 e 1894, tornando-se à época, um dos primeiros teatros do Estado de São Paulo. “Trata-se da primeira mostra de arte contemporânea que este espaço recebe. Trazer a atmosfera e a natureza do Festival Arte Serrinha para este edifício com arquitetura neoclássica, reforça o diálogo entre diferentes momentos históricos da cultura nacional”, afirma Fabio Delduque.

Espaços – A exposição está dividida em três espaços do Centro Cultural Carlos Gomes, com destaque para o Átrio Central. “Neste amplo local, onde o céu parece estar suspenso, apresentamos obras que ampliam nossa visão sobre o mundo e a natureza. A vastidão deste espaço nos permite trazer um pouco da ambiência do Festival Arte Serrinha e da Fazenda Serrinha por meio de fotografias, instalações e documentações criadas ao longo das diversas edições”, explica o curador Fábio Delduque.

Já a Sala 1 traz artistas que foram mestres na Serrinha, apresentando obras que participaram do Festival ou que são representativas das trajetórias desses grandes nomes que ajudaram a configurar a arte brasileira das últimas décadas. Fábio Delduque destaca que “pintura, fotografia, gravura, instalação, vídeo e livro de artista são alguns dos suportes, técnicas e mídias presentes nesta sala. Da rigidez do mármore e da resina à maleabilidade da lona e do tecido, passando pela evanescência das imagens digitais, tudo é passível de nos tocar”.

Por fim, a Sala 2 relembra que o Festival de Arte Serrinha sempre promoveu palestras, shows e oficinas, buscando a troca de saberes e a multiplicação de agentes promotores da arte. “Esta sala representa esse legado por meio de obras de alguns desses participantes, além de registros fotográficos de eventos como shows e performances, assim como algumas instalações que podem ser visitadas no Parque Natural Arte Serrinha. Um mosaico de sentimentos e emoções materializados em catálogos, fôlderes, cartazes, matérias de jornais e revistas, fotografias e vídeos”, finaliza Fábio Delduque.

Nestes espaços, o público terá a oportunidade de apreciar trabalhos de arte contemporânea de nomes expressivos como Leda Catunda, Luiz Hermano, José Spaniol, Dudi Maia Rosa, Laura Vinci, Caio Reisewitz, Luiz Braga, Ayrson Heráclito, Rochelle Costi, Gal Oppido, Rodrigo Braga, Cassio Vasconcelos, Fábio Delduque, Lucas Bambozzi, Bené Fonteles, Edith Derdyk, Rodrigo Bueno, Eduardo Sur e Coletivo Bijari.

É importante ressaltar que também artistas bragantinos e alunos que hoje possuem carreiras encaminhadas tiveram o festival como importante marco em seu aprendizado: Bia Raposo, Matias Spacial, Shel Almeida, André Pitombo, Fernanda Zerbini, Manu Romeiro e também o grande mestre Hilton Mercadante que, como professor de arte e desenhista de histórias em quadrinhos, inspirou gerações de jovens artistas bragantinos.

“Nesta exposição convidamos o público a percorrer um pouco de tudo que realizamos nestes anos todos num festival que, além do caráter artístico e educativo, também colocou o município de Bragança Paulista no mapa da arte brasileira contemporânea”, afirma o curador Fábio Delduque.

História – O curador e idealizador Fábio Delduque relembra a origem do festival. “Era o início do novo milênio, muitos sonhos estavam brotando com força em mentes que vislumbravam um novo tempo que pudesse inspirar perspectivas mais humanas e sustentáveis para nossa civilização. Em parceria com meus irmãos Marcelo Delduque e Carlão de Oliveira fizemos, no ano de 2002, o primeiro Festival Arte Serrinha, iniciando assim um projeto que tem como premissa a integração com todas as artes possíveis com a natureza e também com os assuntos mais urgentes do nosso tempo.

Arte e Natureza – Uma das características principais que marcaram os 20 anos de trajetória do Festival Arte Serrinha é a comunhão entre arte e natureza e a preocupação com o meio-ambiente e a sustentabilidade, que sempre dialogaram com o clima da Fazenda Serrinha, núcleo principal do festival, localizada numa área verde de 120 hectares, em Bragança Paulista.

“Durante 20 anos o Festival Arte Serrinha se mantém como uma experiência única no Brasil, propondo e abrigando a criação artística como ato e obra de reconciliação com a natureza. Esta é a analogia que o festival nos oferece: a da natureza como obra de arte e do processo artístico como invenção da natureza”, analisa a pensadora, escritora e crítica cultural Marta Porto, que fez o texto de abertura da exposição do festival.

Ela completa, destacando que “o Festival Arte Serrinha também nos oferece um contraponto vitorioso à forma destrutiva com que o Brasil escolheu se relacionar com a terra e a sua natureza. Assim, como o mundo natural se comunica e coopera para manter seu equilíbrio, as artes bebem dessa fonte original para espiritualizar a jornada humana”.

Festival Arte Serrinha – Ao longo de suas edições, o núcleo irradiador de todos os eventos do festival localiza-se em duas terras vizinhas e irmãs: a Fazenda Serrinha, espaço de convivência e de experimentações artísticas e ambientais, e o Sítio Santo Antônio, que abriga o Teatro Rural e o Galpão Busca Vida, lugares que acolhem a música, o teatro e a dança em suas diversas manifestações.

Além do Festival, o Arte Serrinha inclui um núcleo educativo e o Parque Natural Arte Serrinha, dedicado à arte contemporânea, com obras e instalações artísticas distribuídas por 10 hectares da fazenda.

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