FELIPE SEIXAS | ZIPPER GALERIA

Em Queda (2017), uma das obras que integram a mostra “(I)matérico presente”, de Felipe Seixas na Zipper Galeria, quatro blocos de concreto servem de suporte para um monitor de TV colocado sobre as peças em um ângulo de 45 graus. Na imagem exibida na tela, uma forma semelhante a dos objetos é vista em sequência em um gráfico representado por milhares de pixels. A relação entre a materialidade dos blocos e imaterialidade dos gráficos, presente neste trabalho, é uma das questões que permeiam a exposição. Primeira individual do artista em São Paulo e com curadoria de Nathalia Lavigne, a mostra inaugura o calendário Zip’Up deste ano.
Se em trabalhos anteriores os blocos de concreto moldados apareciam em combinações como carvão e pigmento, explorando a relação entre forma e não-forma desses objetos, sua produção mais recente introduz uma pesquisa sobre o aspecto imaterial das novas tecnologias. Temas como o acúmulo documental e a fragilidade de memórias tecnológicas aparecem ainda em obras como Ascendência (2017), na qual o movimento constante de linhas coloridas criado em um gráfico é visto em um aparelho telefônico através de um saco plástico com água, provocando uma distorção ótica causada pela refração do líquido.
“Grande parte dos trabalhos partem desse ponto em comum: explorar a relação entre o material e o imaterial na construção da forma. O concreto é muito presente, e gosto de pensar sua composição sólida e bruta em contraposição a outros materiais mais leves. Há também a presença de produtos de tecnologia recente, e me interessa contrapor o uso de uma tecnologia por hora avançada, mas que logo se torna obsoleta, com uma técnica antiga, como a do concreto”, afirma Seixas.

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