FÁBIO MIGUEZ | Nara Roesler São Paulo

Fabio Miguez, Sem título, 2022

Fábio Miguez inaugura a exposição ‘Alvenarias’, na sede paulistana da Nara Roesler, com curadoria de Luis Pérez-Oramas. A mostra reúne mais de quarenta pinturas, organizadas em duas séries: ‘Atalhos’ e ‘Volpi’. Desenvolvidos nos últimos dois anos, estes trabalhos representam os desdobramentos mais recentes da pesquisa pictórica conduzida por Miguez na última década. A exposição segue em exibição até 23 de julho.

Os trabalhos apresentados partem do olhar atento de Miguez sobre obras da história da pintura não só em sua matriz europeia, mas também brasileira. Esse interesse deu origem à série ‘Atalhos’, que começou em 2010, com pinturas em pequeno formato. Diferente das grandes telas, estas obras dão uma velocidade maior à produção, com um trabalho levando ao próximo, possibilitando assim, uma abordagem mais experimental da pintura.

Nesse sentido, mais do que o nome de uma série, ‘Atalhos’ é um conceito norteador da prática de Miguez. “‘Atalhos’ permite a junção de trabalhos formando sentenças. Dependendo da vizinhança, eles ganham, inclusive, outro sentido. Essa é a ideia do atalho, a passagem de um campo referencial a outro, que se dá na criação desses conjuntos propondo possivelmente novos sentidos”, revela Miguez.

‘Atalhos’ também comporta a possibilidade de articulação de pequenos conjuntos ou grupos de trabalhos. Um exemplo são as doze pinturas que Miguez apelidou, de forma bem-humorada, de ‘Mes Primitifs’. Neles, o artista revisita pinturas de Giotto, Sassetta, Fra Angelico e Piero della Francesca, despindo-as de todos os elementos acessórios, dando protagonismo ao espaço. Este, por sua vez, nos é apresentado como um fragmento, distanciando-o da composição original.

Já na série ‘Volpi’, Miguez realiza uma inversão de escala e amplia detalhes de obras do pintor ítalo-brasileiro. Essas pinturas, tanto pela sua fisicalidade quanto por sua dimensão, parecem trazer para a escala real as “fachadas” de Volpi, nos remetendo à alvenaria e transformando as telas em verdadeiros muros pictóricos.

Em ‘Alvenarias’, o público poderá entrar em contato com os novos desdobramentos das séries desenvolvidas por Miguez há mais de uma década. Esses pequenos enigmas visuais se relacionam e se complementam entre si, podendo ser entendidos e interpretados livremente pelo espectador.

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