Em momento de fervor nas artes visuais em São Paulo, com galerias apresentando o melhor de seus programas, a OMA Galeria, localizada a poucos metros da 36ª Bienal, inaugura “Reminiscências e o agora”, primeira individual do artista Fábio Magalhães no espaço. Com texto crítico de Igor Simões, a mostra reúne 15 obras entre pinturas em grandes formatos, objetos e instalações. Com uma poética do corte, do rasgo e da abertura, a exposição convida a pensar o limite do ser humano e as camadas profundas da subjetividade.
O artista desloca a violência do literal para o plano simbólico, criando metáforas que refletem sobre o inconsciente, a sociedade e as próprias estruturas da arte. Como afirma Igor Simões, é como se Fábio Magalhães assumisse a função de anatomista não da carne, mas da alma, dissecando aquilo que nos constitui de modo invisível.
Com rigor técnico intenso e referências da filosofia e da psicanálise, o artista constrói um estudo da condição humana. Suas obras destrincham aquilo que não se deseja reconhecer, como as cicatrizes e marcas da violência, seja esta física ou simbólica. Ao mesmo tempo, seu trabalho revela a arte e a criação artística não apenas como feridas, mas como processos de cura.

