Fábio Barolli | Zipper Galeria

À primeira vista, a instalação de pinturas de Fábio Baroli na Zipper Galeria pode parecer uma abordagem naturalista de um artista que é reconhecido pela representação de cenas cotidianas do interior brasileiro e da figura humana. Na nova série de trabalhos, ele toma como ponto de partida as paisagens características da Mata Atlântica, visando uma construção poética a partir de referências de vegetações nativas do Brasil. Porém, trata-se apenas do ponto de partida: em “SELVA-MATA” – a primeira individual dele na galeria – Fábio Baroli usa a pintura como método para refletir sobre a ação antrópica no meio ambiente.

Com texto crítico de Mario Gioia, a exposição inaugura no dia 11 de maio, às 12h. O artista cria uma paisagem inventada no andar superior da Zipper, um site specific que expande a pintura das telas às paredes do espaço expositivo. “O intuito é estabelecer a intercomunicação, por meio da arte, entre as complexas e sensíveis relações do ser humano e suas ocupações, em seu amplo sentido de posse, ofício e lugar”, observa.

Como é próprio no trabalho do artista, as pinturas revelam marcas de edição (montagens, colagens, intervenções e interrupções) que aludem à característica da editoração gráfica, revelando uma das leituras do artista em relação à ação antrópica sobre o meio natural. A escolha do tema na nova série se deu da perspectiva da redução dos espaços naturais, tendo como paradigma a drástica diminuição das áreas de Mata Atlântica ocorridas desde a colonização europeia até a atualidade. “No fundo, é uma paisagem humana, uma narrativa não linear. O olhar pode partir de qualquer ponto da instalação”, comenta.

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