TUDO AQUILO QUE MOVE
COLETIVA REÚNE OBRAS DE ARTISTAS MULHERES QUE REVELAM A VIDA COMO UM CAMPO DE RELAÇÕES
Dez artistas se encontram em torno de uma mesma ideia na nova coletiva da Galeria Frente. Tudo aquilo que move, que inaugura dia 29, com curadoria de Ana Carolina Ralston, investiga o movimento como força vital presente na matéria, na percepção, na memória e nos processos de transformação. Reunindo trabalhos de Diana Motta, Efe Godoy, Fabiana Preti, Giulia Bianchi, Marysia Portinari, Naia Ceschin, Poli Pieratti, Thamiris Mandú, Verena Smit e Victoria Serednicki, em pinturas, esculturas e outros suportes, os trabalhos passam por temas como transformação, fluxo e impermanência.
Antes da forma, há um impulso. É a partir dessa ideia que a exposição investiga aquilo que acontece antes, durante e depois da configuração de uma obra: forças que fazem crescer, expandir, transformar e estabelecer relações. Em diálogo com o pensamento de Henri Bergson, para quem a vida se constitui como fluxo e criação contínua, Tudo aquilo que move propõe olhar para a existência não como um conjunto de estados fixos, mas como um processo permanente de transformação.
Ao reunir pinturas, aquarelas, esculturas e trabalhos que transitam entre diferentes suportes e procedimentos, Tudo aquilo que move evidencia a diversidade de maneiras pelas quais a transformação pode se manifestar na arte. Ritmo, memória, percepção, luz, matéria e conectividade aparecem como elementos de uma mesma investigação: aquilo que faz com que nenhuma forma permaneça completamente estática.
Em diálogo também com o pensamento do antropólogo Tim Ingold, a exposição compreende a vida como um processo contínuo de formação, no qual matéria, corpos e ambiente estão permanentemente implicados uns nos outros. As obras convidam o público a perceber não apenas aquilo que está diante dos olhos, mas as forças, gestos e relações que continuam a agir sobre cada forma.
Tudo aquilo que move propõe, assim, uma experiência de atenção ao movimento – não apenas aquele que pode ser visto, mas também o que se manifesta silenciosamente na matéria, na memória, na percepção e no próprio ato de olhar.

