No dia 21 de setembro, a Biblioteca Pública do Paraná recebe a exposição Eu Materia Estrangeira, uma experiência artística que propõe expandir as fronteiras da percepção e da linguagem. Com obras das artistas Patrícia Graboski, Laura Kaiser e Paula Roque, e curadoria de Andressa Medeiros, a mostra é o resultado de um processo investigativo iniciado em 2018, sobre as possibilidades somatos sensoriais da arte e da literatura.
A exposição reúne 8 obras que subvertem a tradicional centralidade da visão nas artes plásticas, convidando o público a uma experiência corporal e multissensorial através de estímulos táteis, visuais, sonoros e vibráveis. O projeto ganha profundidade com a colaboração direta das artistas convidadas Laura Kaiser, escritora e artista cega, e Paula Roque, atriz e slammer surda, cujas vivências ajudaram a moldar as obras e os caminhos de comunicação do espaço.
A curadora Andressa Medeiros conta que a mostra nasce do desejo de explorar e experimentar procedimentos criativos. “Na minha investigação, há uma necessidade de expandir os modos de pensar e produzir arte para e com diferentes corporeidades”, conta. “Expandir a linguagem é ampliar fronteiras e se lançar no desconhecido. Ao mesmo tempo, é uma busca por uma arte que possa ser mais inclusiva e acessível a uma diversidade maior de corpos”.
Além de somar estímulos, a exposição propõe o conceito de “espaço expositivo sensorial”, onde o corpo do visitante é o principal mediador da experiência. “A visão nunca acontece de forma isolada: ela se relaciona com o ambiente, com o contexto e com o corpo que está naquele espaço”, completa Andressa.
Para a artista Patrícia Graboski, a acessibilidade é também uma possibilidade de ampliar os modos de existência e percepção da obra. “Buscamos deslocar ideias, pensamentos, desejos e afetos para diferentes dimensões da própria materialidade da exposição, como o som, a textura, a vibração, o ar, o espaço, o movimento, a proximidade, a contaminação”, explica.

