Estopim e Segredo | EAV Parque Lage

A Escola de Artes Visuais recebe, nas cavalariças do Parque Lage, a coletiva “Estopim e Segredo”, com trabalhos de alunos-artistas do programa “Formação e Deformação”, coordenado por Clarissa Diniz, Gleyce Kelly Heitor e Ulisses Carrilho.

Concebida com e pelas pessoas artistas do programa de Formação e Deformação, que ao longo de 2019 conviveram intensamente e vivenciaram um curso marcado menos pelo que se ensina e mais por saberes compartilhados num processo de mútua aprendizagem, Estopim e segredo é uma exposição em cinco cortes.

Como uma anti-conclusão, a mostra não desfecha o curso, mas o mantém em aberto através da invenção de outras formas de habitá-lo. Com uma abertura e um encerramento coletivos entremeados por cinco cortes durante os quais as cavalariças do Parque Lage serão ocupadas por pequenos grupos das artistas do programa, Estopim e segredo estende-se até março de 2020 em estado de contínua criação: desta vez ampliando as escutas e as trocas que fundaram os aprendizados do curso ao convocar, para este espaço-tempo de interlocução, os outros públicos da Escola e do Parque. Estende, assim, aos visitantes e participantes da exposição, algumas das perguntas que a conformaram: o que podemos aprender no exercício de expor? Pode uma exposição ser uma escola?

Prorrogar o curso por meio de uma exposição em cinco cortes – e assim permanecer no Parque Lage – é um gesto político. Assentar, em um dos bairros de maior IDH (índice de desenvolvimento humano) do Rio de Janeiro, pessoas que historicamente apenas transitam por esse território é um desdobramento da campanha EAV para TODES. Organizada pelas integrantes dos cursos de formação de artistas ofertados gratuitamente pela Escola de Artes Visuais, o projeto mobilizou a própria instituição e a sociedade em prol do levantamento de fundos destinados à permanência dessas artistas em formação – ou seja, a garantir transporte e alimentação às participantes. Nesse esforço, endereçou publicamente a incontornável e inadiável necessidade de justiça social e de reparação histórica das assimetrias que constituem o Brasil e, como tal, a arte que aqui se faz e se legitima. Por isso, em seu processo de ocupação e de imantação do Parque Lage, ‘Estopim e Segredo’ reverbera algumas das nevrálgicas perguntas da EAV para TODES: como chegamos até aqui? E, fundamentalmente, como permanecemos neste lugar?

É pelo desejo de salvaguardar e estimular tais forças que esta exposição opera por cortes. Como na poda de uma árvore, num parto ou na edição de um filme, os cinco cortes que se seguirão darão a ver – e a brotar – existências prenhes de singularidades. Celebrando o estar e o aprender juntas, o que se forma e se deforma em coletividade, articulamos autorias individuais e coletivas num regime de respeito às diferenças, aos inegociáveis e, por vezes, aos segredos que nos tornam tão estranhas quanto cúmplices.

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