Esther Moreira | Centro Cultural Correios

Na exposição “Esther Moreira: memória” serão exibidos 9 pinturas de grandes formatos e 19 desenhos, produzidos em Londres(Inglaterra), onde a artista realizou toda a sua formação profissional e realizou exposições. Os trabalhos são da década de 1990 e remetem à imagens surrealistas de sonhos e figuras que existem dentro de nós, bem como à aquelas áreas da psique a que normalmente não temos acesso direto, sobre as quais não temos amplo conhecimento e domínio. Com curadoria de Marcelo Frazão, a mostra é uma homenagem póstuma à artista carioca.

A obra de Esther Moreira foi elogiada pelo prestigiado jornal inglês The Independent, que comparou suas pinturas ao universo do escritor colombiano Gabriel García Márquez. Sobre o trabalho da artista, o The Independent publicou: “se Gabriel García Márquez fosse um pintor, ele provavelmente pintaria estas obsedantes (atormentadoras) imagens de metamorfose espiritual, nestes exatos verdes amazonenses e dourados desérticos”.

Sobre sua inspiração, Esther afirmava: “me interesso pelas cavernas da alma onde figuras primitivas e animais ainda têm sua morada, onde antigos e esquecidos rituais continuam a ser perpetrados – paisagens internas com que temos contato via de regra apenas pelos sonhos, compulsões, obsessões e fantasias”.

A artista dizia que suas pinturas refletiam o interesse “por aquilo que nos faz pulsar, pelo que nos leva a agir como agimos e por aquilo que nos faz ser como somos. Aquilo que ainda existe de primitivo em nós. Ele está ligado a uma investigação sobre a identidade, sobre as bases psicológicas de nosso comportamento. A busca pelo que está escondido e não aparente em nós mesmos, que é próprio do território do inconsciente e embora muitas vezes inacessível, de importância fundamental na constituição da natureza humana, está na base do trabalho que faço. Neste sentido pode-se dizer que estas pinturas são uma tentativa de desvelamento e reconhecimento da realidade interna/externa do ser.”

Para a PhD em História e Crítica da Arte e curadora-chefe de pintura estrangeira do Museu Nacional de Belas Artes (1982-2006) , Zuzana Paternostro, as obras de Esther Moreira “apresentam cores vibrantes e contrastantes que irradiam em composições com sombras e elementos de caráter ameaçador. Estes, que podem ser advindos desse mundo interior muitas vezes desconhecido, ou talvez de medos relativos a sua realidade e a finitude das experiências”.

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