Espelhos | Espaço Cultural Correios Niterói

Como será o possível amanhã? Até que ponto a crise instaurada impactará o futuro? É viável, ainda, conviver em comunidade? As aflições individuais influenciam o coletivo? A coletiva “Espelhos” tem como proposta levantar estes e alguns outros questionamentos acerca da realidade pós-pandêmica através das obras de 23 artistas. Ocupando o Espaço Cultural Correios até novembro, a exposição conta com 45 trabalhos selecionados pelos curadores e produtores, Edson Cardoso e Cota Azevedo, a partir de grupos distintos da sociedade. As técnicas e linguagens também são bastante diversificadas: pinturas, esculturas, vídeo, foto-performance, têxtil e livro-objetos; e abordagens como a mimética, a contemporânea e popular. As obras ora trazem uma ideia de comuna positiva, de bem-estar social, ora apontam temas mais densos, distópicos, de caráter individuais e sócio-político-econômicos. Embora as abordagens não sejam uniformes, os denominadores comuns encontram-se na qualidade técnica, na linguagem crítica e, principalmente, no desejo de revelar caminhos de um futuro mais favorável para todos.

“Nossa intenção é buscar abarcar um olhar mais ampliado diante do real e possibilitar o diálogo entre os públicos e as gerações que sentem ou sentirão os impactos de uma crise histórica mundial”, avalia Edson Cardoso.

Destaca-se, deste modo, que ‘Espelhos’ não propõe uma única resposta, nem certezas, mas a alternativa da abertura de um dialogar em prol de uma cidadania mais ativa. Neste quesito, a arte se mostra um espaço ideal para que se reflita em comunhão e para refundar novas vias de uma convivência comunitária menos hierárquica, mais horizontal e igualitária.
“Eis aqui um catalogado de possibilidades de fundamentação de um outro real. Eis aqui os remontes de leituras das dores partilhadas. Neste local, neste habitat, há corpos de trabalhos interligados em um mesmo espaço, dividindo as mesmas angústias de se imaginar um futuro pelas vias do passado. Abrir, hoje, as portas de uma exposição denominada ‘Espelhos’ é um ato de pulsar vida diante da morte. E se não podemos apagar as marcas, como seguir em frente? Talvez seja pela via do questionamento. É aí que se funda o cerne desta mostra”, afirma Cota Azevedo, que além de curadora é jornalista crítica e artista multidisciplinar.

artistas

Alejandro Saavedra, Alex Carrari, André Retes, Anete Mendonça, Ana Maria Guimarães, Antônio Kuschnir, Carla Faria, Cota Azevedo, Cristiane Felix, Francisco Belarmino, Gui Mazzoni, Lucio Volpini, Luise Eru, Marcello Rocha, Mariana San Martin, Mônica Lóss, Otavio Oliveira, Quim, Rafael Prado, Roberta Cani, Robson Emerick, Talita Talarico, Wesley Lima Brito

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