A coletiva Entre Matrizes – Impressões Compartilhadas reúne as gravadoras Anico Herskovits, Miriam Tolpolar, Suzel Neubarth e Fernanda Soares, que desenvolveram suas poéticas e passaram a integrar uma rede de saberes em constante transformação. Além da técnica, aprendizagens e experiências do ofício, elas compartilham amizade e parceria há mais de 30 anos.
A exposição, na sala Branca da galeria, vai mostrar litografias, xilogravuras e gravuras em metal. “Cada impressão preserva a singularidade de quem a produz e também revela a força criativa que nasce da convivência entre mulheres matrizes”, ressaltam.
Anico assina seis xilogravuras e quatro litografias. Miriam exibe uma série nova e inédita de litografias, intitulada “Estou noite”. No conjunto de imagens de mulheres que criou, utiliza uma técnica e procedimentos particulares. Um deles é o uso de pó de ouro sobre a imagem impressa em um papel preto.
As mulheres retratadas “são carregadas de violência, com bocas costuradas e olhares marcados, mas também oníricas e por vezes eróticas com antúrios brotando de seus corpos”, descreve a artista. Miriam também exibe uma série de mulheres impressas em litografia com Chine-collé, na mesma temática.
Suzel, por meio de levantamento fotográfico, buscou locais significativos e marcos referenciais que constroem a estética das cidades. Trabalhou com a gravura a partir de repetidas impressões, “por vezes eliminando áreas do desenho com a utilização de máscaras em uma mesma matriz, por vezes acrescentando novas imagens em duas matrizes, explorando a sobreposição de uma ou várias cores” conta.
O trabalho resultante, avalia a artista, é a valorização de espaços e monumentos urbanos através de uma releitura daquilo que já se encontra gravado na memória coletiva.
Fernanda participa de “Entre Matrizes” com oito gravuras, cinco litografias e três gravuras em metal. “Representam minha busca pela repetição da imagem impressa em suas diferentes aparições. Há anos trabalho com gravura e o que sempre me encanta são as formas da natureza que organicamente aparecem nas minhas gravuras em repetições diversificadas, gerando novas imagens a partir da mesma matriz”, explica ela, que é fundadora do ateliê Gravura na Tulipa, onde o quarteto se reúne semanalmente.
A galerista e arquiteta Regina Galbinski chama a atenção para o fato de que a exposição, pela técnica, dialoga com o nome da galeria, que comemora 30 anos.
Entrada gratuita
Foto: divulgação da artista Anico Herskovits

