Encosta do Carmo | Casa da Imagem

O Museu da Cidade de São Paulo, exibe “A Encosta do Carmo”, nas calçadas do entorno do Solar da Marquesa e da Casa da Imagem, a segunda edição do Museu de Rua, com curadoria de Walter Pires e coordenação de Henrique Siqueira. Composto por 10 painéis, com imagens distintas em suas duas faces, a mostra expõe registros ocorridos ao longo do tempo na utilização da área do Parque Dom Pedro II (várzea do rio Tamanduateí) a partir de meados do século XIX. Documentos e fotografias dos acervos do Arquivo Histórico Municipal e Museu da Cidade, respectivamente, possibilitam reencontro com uma cidade que, há não muito tempo, pulsava e se desenvolvia a região.

O Museu da Cidade fiel à seu propósito, como instituição cultural, de estar sempre a serviço da sociedade, do seu desenvolvimento, e guardião da sua história, possibilita através das imagens selecionadas para a edição II do Museu de Rua um novo olhar para o passado de uma importante região da cidade, acreditando que o conhecimento de registros de imagens ajudam a explicar relatos históricos.

A Encosta do Carmo” retrata região conhecida como Várzea do Carmo, referente ao trecho do rio Tamanduateí que margeava a colina onde a cidade se desenvolveu. Desde tempos imemoriais, os rios constituem elementos de grande importância na fundação e desenvolvimento de aglomerados urbanos, que são os geradores naturais de futuras vilas, cidades, metrópoles. Sua importância está no transporte, no abastecimento, irrigação, proteção, acesso e também como lazer e qualidade de vida pela proximidade com a natureza. Na cidade de São Paulo, o Rio Tamanduateí cumpriu esse papel por um longo período.

“Os Campos de Piratininga, assim denominados pelos portugueses colonizadores, já eram uma região de circulação e assentamento de grupos indígenas há milênios. Na metade do século XVI, é fundado o modesto colégio jesuítico, sobre uma colina, bem escolhida, a salvo das enchentes dos principais rios vizinhos: Tietê (o Anhembi) e Tamanduateí” explica o curador Walter Pires.

A urgência urbana no crescimento e desenvolvimento da cidade, com a chegada de novos moradores e imigrantes, a necessidade de espaço para residências, indústrias e afins, já no século XIX, muda o enfoque do local que passa a ser olhado como um problema e não mais um gerador de facilidades e riquezas.

“As imagens escolhidas para este Museu de Rua procuram registrar, ao longo de 200 anos, as relevantes e contrastantes funções que a várzea do Tamanduateí assumiu para a São Paulo que ajudou a criar e consolidar. Uma cidade que parece não mais lembrar dessa contribuição tão relevante. Esperamos que esta exposição nos ajude a tirar do esquecimento o significado histórico, e vital, que elementos da natureza, como o Tamanduateí, representam para nossa existência, e para nossas memórias”, define o curador.

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