Empena na Quarentena | Lona Galeria

Lona Galeria organiza mostra de vídeo projeções nas Empenas da Barra Funda durante a quarentena.

Empena na Quarentena consiste em um projeto apresentado pela Lona Galeria em que artistas foram convidados a pensar e produzir trabalhos tomando como partida e ponto de reflexão o isolamento social, serão projetados em uma empena cega na região da barra funda, próxima a sede da galeria e em uma mostra virtual.
Na primeira edição participarão: Caique Poi, Clara de Cápua, Gabriel Pessoto e Thais Stoklos

Sobram na cidade empenas vazias, tristes e carregadas com camadas de tinta descascadas. O olhar comercial dos síndicos voltou a transformar laterais dos prédios em local de negócios, e para se pintar um painel agora é preciso pagar um aluguel do local. Prática que não condiz com a expressão artística.
A projeção de imagens vem quebrar esse vício, já que normalmente o síndico nem fica sabendo dessa ação, que normalmente acontece no horário da novela.
A quarentena fez voltar o saudável costume de olhar pela janela. Não um olhar descuidado e rápido, mas demorado, analítico e curioso. De janela para janela, para rua, para o céu e até para os serviços invisíveis: lixeiros, catadores, manutenção da redes e serviços municipais.
Ficar aquartelado não é uma novidade para alguns artistas, já que a produção artística normalmente requer um certo isolamento e concentração. Mas uma quarentena propõe reflexões sobre nosso modo de vida, desde coisas mais simples como ir na esquina tomar um café ou passear com o cachorro. Agora sair na rua virou uma transgressão e os outros passantes te olham com olhos inquisidores ou cumplices.
Os artistas convidados para esta primeira edição do projeto Empena na Quarentena trabalharam sob um olhar de restrição, contido em um limite imposto por um vírus devastador. Mas o universo virtual mostrou-se mais uma vez o caminho da expressão artística. O limite da retângulo das empenas mostra-se gigantesco e contestador.

Caique Poi em um vídeo de 2 minutos, em pb, elabora um pensamento sobre a contemplação da natureza e da ruína. Uma intersecção entre caos e harmonia.

Clara de Cápua através da múltipla replicação de uma mesma figura, tenta falar do isolamento que nos coloca frente à própria companhia. Para além dessa tensão, procura abordar também a questão da espera – não há nada a fazer a não ser esperar o tempo passar.

Gabriel Pessoto examinou o distanciamento social e a desaceleração de trocas/consumo de estímulos que o levaram a um processo de revisão e retorno a referências da infância e da adolescência guardadas na memória. São espaços de conforto e de primeiras formulações individuais. O vídeo é composto por uma colagem de imagens coletadas ou capturadas por dispositivos móveis que ficaram armazenadas sem uso.
O decorativo é abordado enquanto solução estética para organização de imagens e memórias. No caso, um padrão de crochê é utilizado como base para a criação de uma trama de fragmentos afetivos e imagens fugazes esquecidas dentro da memória do celular.

Thais Stoklos trata das parcerias, afinal as mais próximas são as duas mãos. É uma repetição incansável, uma atitude violenta. As parceiras que nos colocam em risco, num abraço, surge um gesto livre que caminha, da filha, e assim, com o tempo vai marcando o corpo do outro, sua mãe, que o tem inteira e presente.

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