Emergência e Resistência – Pedagogias Radicais | EAV Parque Lage

EAV Parque Lage - Palacete

A Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV), em parceria institucional com o Instituto Rubens Gerchman (IRG), apresentará o seminário público on-line “Emergência e Resistência – Pedagogias Radicais”, uma série de encontros remotos e gratuitos sobre pedagogias experimentais no ensino das artes, contemplando o contexto da América Latina, do Brasil e do Rio de Janeiro.

O seminário antecipa o lançamento do livro “Espaço de Emergência, Espaço de Resistência – Escola de Artes Visuais do Parque Lage (1975-1979), uma experiência radical e coletiva idealizada e dirigida por Rubens Gerchman”, previsto para o dia 12 de dezembro, no palacete do Parque Lage. A publicação – com organização de Clara Gerchman, Isabella Rosado Nunes e Sergio Cohn, da editora Azougue – aborda o projeto pedagógico-artístico de Rubens Gerchman (1942-2008), fundador e gestor da EAV Parque Lage, nos anos 1970.

“A Escola de Artes Visuais foi uma obra pro Gerchman, mais uma de suas criações. E é a partir de uma parceria inédita entre o IRG e a EAV que dois desejos dele se realizam: o lançamento da publicação e um amplo debate sobre Arte e Educação. O objetivo destes trabalhos é homenagear o fundador e primeiro diretor da Escola, bem como destacar o valor da iniciativa, que existe até hoje”, comenta Clara Gerchman, diretora do IRG.

O seminário, organizado por Ulisses Carrilho, curador da EAV Parque Lage, cumpre o desejo de realização do fundador da instituição. O ciclo de debates pretende investigar experiências e exemplos pedagógicos radicais conectados a instituições, artistas e professores. Entendendo o hemisfério sul como um espaço ainda a ser explorado e conectado entre si, as conversas partirão de um sul global (América Latina) para um sul regional (Brasil e, na sequência, Rio de Janeiro). É pauta do seminário o questionamento à compreensão do Sul como a região que concentra espaços ainda vistos como periféricos e aos quais falta maior visibilidade por parte do Norte e suas esferas dominantes.

Em 1971, no texto “Abaixo do Equador”, Gerchman escreveu uma espécie de manifesto-particular de suas preocupações à época: “O Norte foi criado pelo colonizador. Proposição: uma cultura que fosse não branca, não europeia, não colonial, não geográfica. Arte Internacional não é Arte Internacional; Arte Internacional é Imperialismo Cultural. Um astronauta vindo do espaço sideral não poderia distinguir sem nenhum preconceito qual a parte da terra que está voltada para baixo. O Norte é abaixo. O Sul é abaixo. O Norte é acima. O Sul é acima”.

As pedagogias nas artes, dentro do campo das experiências latinas, será o tema do primeiro encontro a ser realizado no dia 16 de setembro, das 15h às 17h, pela plataforma Zoom, com transmissão ao vivo pelo canal de YouTube da EAV. A mesa será composta pelos curadores Marcelo Campos e Inés Katzenstein, e pelo artista chileno Felipe Mujica. Também participam a pesquisadora Raquel Barreto, a curadora mexicana Paola Santoscoy e o crítico e curador argentino Santiago Navarro, que terão como função provocar o debate, disparando questões para este primeiro ciclo.

Os encontros seguintes buscam aprofundamentos sobre as experiências brasileiras (14 de outubro), cariocas (4 de novembro) e as escolas enquanto projetos de artistas (25 de novembro), sempre das 15h às 17h, com convidados de referência em suas áreas de atuação.

Em Experiências Brasileiras (14/10), pretende-se reduzir a lupa colocada no sul global para o nosso país. Pesquisando não apenas experiências do eixo Rio-São Paulo, propõe-se investigar a implementação de práticas radicais em espaços do Nordeste e Sul do Brasil, buscando colocar em evidência as práticas de arte encontradas nas mais diferentes e únicas regiões nacionais, que não se submetem à hegemonia do Sudeste.

O penúltimo encontro, com as Experiências Cariocas (4/11), focará no estado fluminense. Serão convidados indivíduos que praticam o ensino e pesquisa da arte em espaços não institucionalizados ou que se valem de redes para manter seus projetos vivos. Compreende-se aqui o ensino de arte em sua larga escala. Criar relação com as vivências dos artistas, sua cultura e sua terra, é de extrema importância ao pensarmos os ensinos radicais e os espaços para formação e ensino nas artes.

Depois de percorrer o sul a partir dos recortes global, nacional e estadual, o seminário vai abordar, no último encontro (25/11), os projetos de ensino dentro da prática artística, ação já desenvolvida há décadas pela EAV Parque Lage.

O final do seminário será marcado pelo lançamento do livro “Espaço de Emergência, Espaço de Resistência”, no dia 12 de dezembro, na EAV Parque Lage, observando todos os protocolos sanitários e exigências de saúde necessários ao período.

Em paralelo ao seminário, a equipe da EAV Parque Lage irá explorar as falas e seus desdobramentos em plataforma virtual, que será uma espécie de organismo vivo ao longo dos cinco ciclos. Em um espaço de troca constante, serão disponibilizados documentos de arquivos da EAV Parque Lage, do Memória Lage e do Instituto Rubens Gerchman, além de documentação crítica do seminário elaborada pelo coletivo de pesquisa curatorial NaPupila.

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