Élcio Miazaki | Zipper Galeria

O programa Zip’Up apresenta, a partir de 24 de julho, a exposição “Illusions (ou A persistência retiniana)”, do paulistano Élcio Miazaki. Primeira individual do artista na Zipper Galeria, a mostra reúne trabalhos recentes que convidam o expectador a se confundir: seja pela própria imagem, seja pelo propósito que levou sua ma-terialização, os trabalhos se encarregam de mostrar algo que não é, que figura como engodo, ludíbrio ou aparência.

O ponto de partida de Élcio Miazaki é o mergulho em acervos históricos, a partir dos quais ele busca “reconstituir contextos” e conduzir sua poética. Em sua indivi-dual na Zipper, uma caixa de luz controlada por temporizador aciona a atenção do expectador com a frase “Tenha em mente que todos nós somos o produto de uma larga variedade de experiências”. Ou com “Cada um tem necessidades, complexos e recordações, conscientes e subconscientes que lhes são exclusivas”. Aparentemente reconfortantes, os trechos escondem sua origem: foram retira-dos de manuais de treinamento do Exército brasileiro no período anterior à dita-dura militar no país.

Outro corpo de trabalhos faz referência às técnicas criadas no século 19 que buscavam “enganar” o cérebro humano, criando impressões de movimento ou formando uma imagem completa a partir de fragmentos de outras figuras. São dispositivos que abordam o fenômeno da retenção da imagem pelo cérebro, por algumas frações de segundo, e que viriam a dar origem ao cinema. “Acredi-tamos ou não naquilo que constantemente paira diante da nossa visão? O que é ficção? E o que é realidade?”, resume o artista.

Com curadoria de Shannon Botelho, a exposição “Illusions (ou A persistência reti-niana)” fica em cartaz até 21 de agosto de 2021.

Idealizado em 2011, um ano após a criação da Zipper Galeria, o programa Zip’Up é um projeto experimental voltado para receber novos artistas, nomes emergen-tes não representados por galerias paulistanas. O objetivo é manter a abertura a variadas investigações e abordagens, além de possibilitar a troca de experiência entre artistas, curadores independentes e o público, dando visibilidade a talentos em iminência ou amadurecimento. Em um processo permanente, a Zipper recebe, seleciona, orienta e sedia projetos expositivos, que, ao longo dos últimos anos, somam mais de cinquenta exposições e cerca de 70 artistas e 30 curadores que ocuparam a sala superior da galeria.

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