Eduardo Srur | Neobambu

A Alameda Gabriel Monteiro da Silva, endereço nobre que abriga marcas fortes de arquitetura, decoração e design da capital, despertará com um incômodo visível. O artista visual Eduardo Srur, reconhecido por utilizar do espaço público para chamar a atenção para questões ambientais e do cotidiano nas metrópoles, sempre com o objetivo de ampliar a presença da arte na sociedade e aproximá-la da vida das pessoas, instala sobre a calçada do showroom da Neobambu, uma obra que simboliza o ‘assassinato’ de uma árvore. IBYRÁ UGUY, que em tupi-guarani significa Árvore que Sangra, ficará em exposição até 14 de abril.

Composta por um tronco de árvore de duas toneladas, motosserras e resina vermelha, a obra espera despertar o olhar dos frequentadores da região e trazer à tona as recentes tragédias ambientais do país. “Penso que será a obra mais violenta que concebi. Expor uma árvore aleijada, sangrando, com motosserras enfiadas no seu corpo diz muito sobre o momento atual. O Brasil, que leva uma árvore no próprio nome, não merece esta grandeza. Nós, brasileiros, estamos omissos a destruição do nosso bem mais precioso: as riquezas naturais”, explica Srur.

Srur conta que a obra tem diversas fontes de inspiração, entre elas, a imagem do Santinho de São Sebastião com flechas, preso ao tronco de uma árvore, e a instalação “Desvio para o Vermelho”, do artista brasileiro Cildo Meireles. “Expor a obra na cidade gera um contraste poderoso, porque aqui estão muitas pessoas que tomam as decisões equivocadas que refletem na vida da floresta. Nos centros urbanos circulam as pessoas que mais consomem, mas muitas vezes, não tem consciência da origem ou da cadeia produtiva do produto que consomem”.

Ainda durante o processo criativo, Srur convidou o fotógrafo de natureza Araquém Alcântara para participar da ativação com uma de suas obras mais recentes, a “Pós-queimada da rodovia Transamérica”, trabalho feito em Altamira, Pará em 2010.

A parceria inédita entre o artista e a Neobambu acontece em março, justamente por ser neste período que a marca tradicionalmente apresenta seus lançamentos exclusivos para o mercado. Sempre com uma preocupação real com a procedência da madeira, para este ano, Neobambu, que preza por oferecer produtos que levem a um futuro sustentável e que investe em material renovável como madeira de manejo florestal e reflorestamento, convidou Eduardo Srur para participar da ação de lançamento pelo seu reconhecido engajamento na preservação do meio ambiente. “Buscamos conciliar as demandas do mercado com o DNA da Neobambu e por conta disso, a escolha do Srur foi extremamente natural, um casamento perfeito, temos a mesma preocupação com o futuro do nosso planeta”, explica Marco Aurélio Nery, co-founder Neobambu.

No interior do showroom, será possível ainda conhecer o logo comemorativo da marca para 2020, inspirado no ‘Relógio do Juízo Final’ – uma analogia criada em 1947, pelo comitê de diretores do ‘Bulletin of the Atomic Scientists’, da Universidade de Chicago -, no qual a raça humana está a “minutos para a meia-noite” sendo que a meia-noite representa a destruição por uma guerra nuclear. Com a inclusão do aquecimento global em 2007, foi registrado um grande avanço no relógio, e o ponteiro está extremamente próximo à meia noite. “Nosso logo é composto por uma árvore com os ponteiros que marcam dez para meia-noite, ponto para onde precisamos regredir para salvar o planeta”, afirma Francine Ferrari, co-founder da Neobambu.

Vale ressaltar que a árvore utilizada na obra foi retirada de uma residência por apresentar risco ao imóvel, vistoriada e laudada pela empresa Gobbi Tecnologia Ambiental. A autorização da retirada ocorreu junto à subprefeitura do Butantã. Portanto, a obra possui todos os certificados para retirada e utilização da madeira.

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