Eduardo Berliner | Casa Triângulo

A Casa Triangulo apresenta a segunda exposição individual do artista carioca Eduardo Berliner na galeria. Sob curadoria de Priscyla Gomes e Felipe Kaiser, a mostra intitulada “Corpos em Muda” é composta por pinturas inéditas de grandes formatos, criadas nos últimos anos.
O título é uma homenagem ao livro “A desumanização”, do escritor português Valter Hugo Mãe, que narra a história de duas irmãs gêmeas, Sigridur e Halla. A primeira morre aos 12 anos. Halla passa a viver, portanto, sem a sua “metade”, em meio a uma família desestruturada. A maneira como sua família lida com o luto é o fio condutor da publicação, rica em cenas mentais de crueldade e masoquismo. Essas imagens mentais reaparecem nas obras que Eduardo Berliner exibe nesta exposição, como membros humanos que se ligam a um balanço ou partes que confluem para formar rostos reconstruídos.
Ao adentrarmos na exposição vemos um flautista com focinho, um cachorro com cabeça de criança, uma boneca com braços-chifres. São pinturas, desenhos, gravuras e aquarelas de densidades e constituições próprias, que ganham complexidade pelo acúmulo de gestos e acasos na manipulação do meio. São figurações inquietantes, fabulações e obsessões com o hibridismo entre o humano e o animalesco que integram o universo poético do artista.
Guiadas pela violência do corte e do sangue, pelo deforme dos seres híbridos e pela metamorfose de seus personagens, as pinturas de Berliner são baseadas em recortes justapostos a lastros de memórias e observações do mundo, resultando em imagens perturbadoras, nas quais se confundem o familiar e o estranho, o natural e o absurdo, o surreal e o lirismo.

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