Edu Monteiro | Galeria Movimento Arte Contemporânea

Selecionado na categoria inovação e experimentação do importante prêmio Pierre Verger, o artista Edu Monteiro apresenta sua primeira exposição individual na Galeria Movimento Arte Contemporânea. “Corpos em luta”, aborda o universo mágico de duas danças de combate de origem africana: a Ladja, praticada na Ilha da Martinica; e Laamb, do Senegal. O interesse pelas lutas veio através da prática da Capoeira e pelas viagens para a África e o Caribe motivadas por sua pesquisa que culminou em uma tese de doutorado em artes pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).

Artista e pesquisador, Edu Monteiro confere visibilidade às práticas de combate relacionadas à diáspora Africana, sem fazer uso de uma narrativa panfletária, as danças de combate são a base do processo criativo das obras apresentadas. “É da memória ancorada no corpo, do sobrevoo simbólico de minhas buscas, da alteridade, da resistência, das vibrações emanadas no corpo, no verbo, no ritmo, na imagem e na matéria que nascem minhas proposições artísticas” explica o artista.

Com curadoria de Laís Santana e Marcia Mello, a mostra conta com instalações, objetos escultóricos e fotografias. “Alguns elementos que constituem a exposição são signos existentes durante a formação de rodas de danças de combate. Ao empilhar duas pedras, os praticantes da Lajda acreditam em uma conexão com o mundo espiritual, o que poderia consagrar o vencedor do combate. Já na luta senegalesa, o chifre de carneiro compõe a mandinga, conhecido como um elemento de poder e força vital”, afirma Laís Santana.

Segundo Marcia Mello “o impulso criativo de Edu Monteiro lida com questões essenciais da vida, com potência e coragem. Desvelar mistérios tem sido a busca desse artista coerente com suas escolhas estéticas, que passam com a mesma força pela performance, fotografia, escultura, instalação, texto, vídeo, audiovisual”.

Mais do que um ato de afirmação cultural nascido nas encruzilhadas da diáspora africana, estes trabalhos estão inseridos no universo do colonialismo. A exposição “Corpos em luta” apresenta em seu cerne três aspectos primordiais: força, resistência e equilíbrio.

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