A exposição Transfigurações, do artista Edu Devens, com curadoria de André Venzon, pode ser visitada na Sala da Fonte do Museu de Arte do Paço (Mapa), na Praça Montevidéu, 10, Centro Histórico.
A mostra parte da premissa de que a arte pode ser caminho para compreender-se, reconhecer fronteiras e abrir-se à transformação, mesmo diante de violências e preconceitos que ainda persistem.
Para tanto, foi reunida a mais recente série Fragmentos do masculino (em mármore), a série Experimentações Clandestinas (ferramentas de pá e corte) e a escultura Transmutar. As obras resultam da prática de transferência fotográfica manual de retratos e nus artísticos para suportes de pedra, metal e isopor, criando uma interlocução entre pele, memória e matéria.
A pesquisa de Edu Devens cruza psicanálise e medicina para explorar a potência dos corpos dissidentes, buscando ampliar a expressão e o reconhecimento de quem se identifica como diferente, diverso, em transformação contínua. Sua obra não apenas identifica diferenças, mas amplia possibilidades expressivas, dando vida emergente aos objetos e ampliando seus significados.
André Venzon orienta o percurso expositivo para enfatizar relações entre vulnerabilidade e resistência, entre o íntimo e o público, entre corpo visto e corpo sentido. Também destaca os diálogos que o artista evidencia entre as peças em pedra, metal, isopor com a fotografia, buscando uma experiência sensorial que evoque memória, presença e transformação.
Visibilidade – A mostra dialoga ainda com o mês da Visibilidade Trans, reforçando a importância de visibilizar identidades dissidentes e ampliar territórios de expressão dentro de uma instituição dedicada à arte contemporânea. Assim, a exposição propõe que objetos inertes ganhem rosto e presença, abrindo espaço para reflexões sobre coragem, resistência e vidas.

