Duda Moraes | Celma Albuquerque Galeria de Arte

Pintura em telas de grande formato, com cores vivas e fundo fluorescente é a linguagem de Duda Moraes para expressar as referências de seu recomeço na vida fora do Brasil. Esses elementos a levam ao resgate da vegetação luxuosa, dos tons vibrantes e dos perfumes exaltantes de suas origens tropicais. O uso da tinta acrílica com a tinta a óleo permite o contraponto de dois mundos e de duas culturas. E a explosão de cores revela o movimento gestual da vida e os traços com os quais são construídas as direções a serem seguidas.

Essas novas alusões de seu dia a dia induzem Duda Moraes a ter, como ponto de partida para as obras, imagens de potes de flores que são muito presentes durante a primavera francesa. O encantamento por essas composições e as flores sugere uma entidade ambivalente entre força e fragilidade, intimidade e sociedade. É o sexo da planta frágil e matricial, é uma aposta de predação, por natureza política. Os elementos abstratos que compartilham do equilíbrio da pintura resultam na relação da artista com a tela. As pinturas propõem ao espectador entrar nesse universo caloroso, alegre e cheio de possibilidades.

“O tempo é um ser em meio a uma metamorfose, com pressa para mudar, a fim de sobreviver. É aquele que se torna uma flor e abraça os opostos. Tempo é a flor da primavera e da renovação, que se abre para o desabrochar do mundo”, diz Duda Moraes, que, movida por uma história de amor, mudou-se para uma cidade sem montanhas, mas com um horizonte repleto de parreiras, construções antigas e estações que se colorem ao longo do ano. Após quatro anos em Bordeaux (França), ela expõe suas obras pela segunda vez na Celma Albuquerque Galeria de Arte, agora, com a individual “Somos feitos de tempo.”

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