Douglas Lopes | Fábrica Bhering

Beleza Extraordinária @Douglas Lopes

Em sua primeira individual fora do Complexo da Maré, território que atravessa sua produção, Douglas Lopes apresenta fotografias que exploram as relações entre paisagem, memória e os imaginários construídos sobre as favelas cariocas.

Com curadoria de Vinicius Mesquita, Entre a favela, o inferno e o céu apresenta séries emblemáticas do artista visual, uma vídeoarte e uma instalação inédita. Nos dias 17, 18 e 19 de setembro, às 11h, Douglas vai mediar visita à mostra para o público espontâneo.

A exposição é parte de um projeto mais amplo, que abrange a publicação de um livro e a reestruturação da plataforma digital do fotógrafo, que será relançada no evento e passa a se chamar Estúdio Maré. Lopes foi contemplado com uma bolsa do Programa de Inovação Social, Tecnológica e Ambiental (Pista), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ). Abaixo, o percurso da mostra:

Círculo de fogo (2026) é composta por 13 fotografias digitais de 150 x 100 cm cada, impressas sobre tecido e suspensas por cabos de aço. A sobreposição de imagens dos alunos do Núcleo de Formação em Dança do Centro de Arte da Maré faz alusão ao espectro das cores do fogo.

A fotografia panorâmica Dois de janeiro (2018), de 36 x 110 cm, registra um arco-íris duplo, captado em 2 de janeiro, em dois anos consecutivos. A imagem cria uma conexão afetiva, porém efêmera, entre duas comunidades cujo controle territorial está nas mãos de grupos rivais.

Em preto e branco, na fotografia digital Nas águas desta baía há muito tempo (2024), o artista toma emprestado o título de um livro de Nei Lopes para mostrar a área do antigo Pier Maria Angu, na Favela da Kelson. Antigamente próspero, o espaço segue como uma área de pesca e lazer, apesar da poluição das águas e dos sinais de degradação do espaço.

Outra imagem em preto e branco que fala de memória e história é Itaparica e Vera Cruz (2022), de 400 x 60 cm, que registra o trajeto da Baía de Todos-os-Santos, palco das lutas pela Independência da Bahia e do Brasil. O trabalho amplia a pesquisa do artista para além do território carioca.

Já a fotografia Beleza extraordinária (2021) registra uma rua antes movimentada, agora deserta, com lixo acumulado. Lopes destaca texturas e contrastes, a partir de elementos cotidianos como aves, nuvens, luz, asfalto e resíduos.

Em Tudo que habita é luz (2025), um tríptico de 150 x 250 cm cada, Lopes reúne paisagens de diferentes favelas em uma composição vertical. A sobreposição e a disposição das imagens fazem referência à própria verticalização das comunidades, ao mesmo tempo fragmentada e conectada. Na imagem central, um menino carrega o bastão do Reisado do Maracatu.

Yaya (2016) faz parte do conjunto de registros que Lopes fez durante anos no Ceasa, a central de abastecimento do Rio de Janeiro. São caixotes de plástico para peixe, nas cores azul e laranja, com a palavra Yaya na lateral, empilhados. Fotografar a repetição, a aglomeração das coisas com texturas, cores e formas diversas, mas que criam uma unidade escultórica, é um de seus métodos de observação dos gestos cotidianos.

Desde 2013, Douglas Lopes transita entre o documental e o autoral. Seu trabalho parte da experiência cotidiana nas periferias para construir imagens que tensionam narrativas dominantes sobre o Rio de Janeiro.

Douglas foi diretor de fotografia da premiada série “Marielle – O Documentário”, para o Globoplay. Também assinou a direção de fotografia de “Unifavela – o ENEM, a favela e o Coronavírus”, vencedor do Prêmio ABMES de Jornalismo na categoria Vídeo Nacional. Em 2023 foi indicado ao prêmio internacional MAST Photography Grant on Industry and Work [Bolonha, Itália], no qual havia apenas dois brasileiros, sendo Douglas o único do RJ.

Fez formação em preparação de obras de arte no Instituto Moreira Salles e qualificação profissional em identificação de técnicas e conservação preventiva de acervos fotográficos históricos na Fundação Oswaldo Cruz. Frequentou o curso técnico de especialização em assistência de câmera para cinema da UFRJ e a Universidade das Quebradas, na Faculdade de Letras também da UFRJ.

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