Ding Musa | Galeria Raquel Arnaud

Ding Musa apresenta “Parêntesis”, sua terceira individual na Galeria Raquel Arnaud. A mostra, com texto crítico assinado pelo curador Josué Mattos, traz não só as reconhecidas fotografias do artista, mas também instalações, objetos e vídeos, consolidando um percurso de investigação por diferentes suportes, conforme o artista vem fazendo ao longo dos últimos 10 anos.

Numa definição formal, os parêntesis no caso funcionam para o olhar. “Isso porque a mirada de quem passar pelas obras deve se lançar a sobrevoos, sem perder de vista pousos detidos em partes, com poucos pontos de fuga”, observa Mattos. Segundo o crítico, o trânsito livre do olhar é interrompido por imagens de muros e chãos que comentam algo central na produção do artista: a condição complexa da unidade de construção e suas negociações com sistemas extrativistas promotores de escassez de trabalho, terra e moradia.

A instalação Unidade de construção espacial, formada por uma caixa de som que amplifica (com o uso de um microfone) o tic tac de um relógio de parede, recebe o visitante. A obra faz parte de uma série em diferentes suportes intitulados “Unidade de construção”, onde o artista utiliza metáforas para discutir sobretudo a construção estética em arte. A aparente formalidade encontrada nas fotografias desta série, que retratam elementos da construção civil, é fruto de uma investigação sobre o espaço da arte ou as formas de conhecer e acessar conhecimento através da estética. Segundo o artista, são uma investigação sobre a autoconstrução do homem em geral. “Trabalho muito esse conceito, uso várias metáforas e, para falar disso, junto materiais de construção, grides, grades, cubos tridimensionais, coisas comuns e recorrentes entre muitos artistas que me influenciam, como os minimalistas americanos. Essa coisa aparentemente mais formal tem uma carga política forte”.

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