DESEJO, MONICA BARKI

O corpo nu na obra de Monica Barki é uma escultura que pulsa e que a acompanha desde o início da carreira. Em sua primeira individual, aos 19 anos, a artista expôs O Banquete, pintura na qual aparece nua sendo servida em uma mesa de jantar. A temática volta à cena na exposição “Desejo”, que será apresentada a partir de 04 de setembro, na galeria TAC, no Shopping da Gávea, com curadoria de Beatriz Lemos. 

Como o próprio nome sugere, Desejo vai levar o público para o fantasioso mundo dos motéis cariocas. Há dois anos, Monica vem realizando performances em diversos endereços quentes do Rio de Janeiro. Da Barra da Tijuca a São Gonçalo, passando por Botafogo, Lapa, Glória e Avenida Brasil, a artista frequentou e capturou com sua câmera as mais diversas suítes. 

“Dependendo do bairro, a decoração vai se modificando. Na Barra é tudo mais moderno e limpo, porém quase sempre brega, enquanto na Lapa a decoração é antiquada, meio encardida e com alguns espelhos quebrados”, observa Monica, que apresentará 12 fotografias com interferências, impressas em papel de algodão Hahnemuhle 308g.

Como protagonista da obra, elaborando e executando as ações, Monica cria nos quartos uma atmosfera quente, sensual e convidativa, utilizando a superposição de imagens, jogos de espelhos, máscaras, luzes, janelas, objetos eróticos e instrumentos de prazer. As performances começaram em 2012, com o ex-namorado da artista, e continuam com o atual namorado em 2014, sempre em ambientes banhados de cores, sombras e imagens misteriosas. 

O trabalho atual de Monica Barki está inserido no campo da convergência de linguagens, da fotografia encenada, que combina e dialoga com teatro, cinema e pintura. Este tipo de fotografia ficou conhecida nos anos 1980 como “Staged Photography”, por meio dos trabalhos de artistas como Cindy Sherman, Jeff Wall e, mais recentemente, da coreana Won Seoung Won, tendo também sido utilizada por alguns fotógrafos desde o século XIX. Coerente com suas obras anteriores, a artista reafirma neste trabalho questões recorrentes em sua trajetória, como a busca de si mesma, fazendo uso de máscaras para refletir sobre os seus próprios desejos e aspirações.

“Tive uma educação muito rígida e sigo buscando formas de dialogar com essa porção genuína erótica e sensual, própria da natureza das fêmeas. Sinto que estou cada vez mais madura e sem medo de ser feliz. Como é bom a gente poder se expressar livremente. Desde pequena sempre fui de agir mais e falar menos. Um mundo incrível pode ser transmitido através de imagens e as palavras muitas vezes são banais e supérfluas”, diz Monica, que tem obras em acervos de instituições como os museus de Arte Moderna do Rio e de São Paulo, o Museu de Arte da Pampulha, em Belo Horizonte, e o Museu de Arte Contemporânea de Niterói.

As questões relativas à posição da mulher na sociedade são evidentes na trajetória de Monica. A mostra “Desejo” dialoga com desenhos anteriores da artista da série Lady Pink et ses garçons (2009-2011), no que se refere à questão do feminino e suas configurações no jogo social. “Ali já apareciam meus primeiros bordéis e alcovas”, diz Monica, que no dia 14 de setembro participará de um debate no auditório da ArtRio com Wilton Montenegro e Frederico Dalton.

SOBRE A ARTISTA

Nascida no Rio de Janeiro em 1956, Monica Barki entrou para o mundo das artes aos 12 anos, matriculada no Ateliê Infantil de Ivan Serpa. De lá para cá, não parou mais. Apresentou suas obras em inúmeras individuais e coletivas, no país e no exterior, incluindo participação na Bienal Internacional de São Paulo, em 1991. No fim de 2011, comemorou 35 anos de carreira com a publicação de um livro reunindo toda a sua trajetória e com a realização de uma retrospectiva no Museu Nacional de Belas Artes, contemplados pela lei Rouanet, ISS e Secretaria de Cultura . Suas obras se encontram nas coleções do Museu de Arte da Pampulha (Belo Horizonte), Museus Castro Maya (Rio de Janeiro), Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (coleção Gilberto Chateaubriand), Museu de Arte Moderna (São Paulo), Museu Nacional de Belas Artes (Rio de Janeiro), Museu de Arte Contemporânea do Paraná (Curitiba), Itaú Cultural (São Paulo), Museu de Arte Contemporânea de Niterói (coleção João Sattamini), Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (Fortaleza), entre outras.

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