A Secretaria de Estado da Cultura do RS — Sedac, por meio do Museu de Arte do Rio Grande do Sul — MARGS, traz a público a partir deste sábado, 27.11.2021, a exposição “Denilson Baniwa — INÍPO: Caminho de transformação”.
A mostra, que seguirá em exibição até 09.01.2022, faz parte da programação do 7º Festival Kino Beat, uma correalização com o Goethe-Institut Porto Alegre.
No MARGS, a primeira exposição em Porto Alegre do artista amazonense e indígena do povo Baniwa integra o programa expositivo intitulado “Poéticas do agora”, voltado a artistas atuais cuja produção recente tem se mostrado promissora e relevante no campo artístico contemporâneo.
A visitação é gratuita e pode ser feita de terça a domingo, das 10h às 19h (último acesso 18h30), com todos os cuidados e medidas do protocolo de segurança sanitária do Museu (confira abaixo, no serviço).
Com curadoria de Gabriel Cevallos, diretor-curador do Kino Beat, “Denilson Baniwa — INÍPO: Caminho de transformação” se apresenta como uma exposição-percurso, com exibição fragmentada em 3 locais físicos e 1 virtual. As obras estarão no Goethe-Institut Porto Alegre, Salas Negras do MARGS, Jardim Lutzenberger da Casa de Cultura Mario Quintana e no Instagram do festival (mais detalhes abaixo).
Nas Salas Negras do MARGS, é apresentada a série de gravuras digitais “Aquela gente que se transforma em bicho”, com 3 gravuras produzidas para a exposição, em um total de 8, todas medindo 120 x 84. Os trabalhos retratam alguns dos seres duplos (espírito bicho-gente), que, na teoria do perspectivismo ameríndio, indica que “tudo o que existe no cosmos pode ser sujeito, mas todos não podem ser sujeitos ao mesmo tempo, o que implica uma disputa.” Também estarão em exibição os vídeos “Ty Ty — Memórias de beija-flor” (3’26”) e “Floresta-Casa derrubada (A última maloca do fim do mundo)” (2’41”), que abordam questões de indígenas em contexto urbano, as memórias da floresta, a constante luta por territórios, e as violências da colonização.
As obras expostas no MARGS estarão cobertas por panos pretos da abertura até 03.12.2021, em luto pela morte do artista Jaider Esbell, falecido no início de novembro.
Na terça-feira, 30.11.2021, às 19h, Denilson Baniwa participa de uma fala na programação do Kino Beat, pelo YouTube do festival: https://www.youtube.com/watch?v=t1wgqSs15tM
Pelo programa “Poéticas do agora” do MARGS, a individual de Denilson Baniwa dá sequência às mostras “Bruno Borne – Ponto vernal” (2019/2020), “Bruno Gularte Barreto – 5 CASAS” (2021) e “Estêvão da Fontoura: DESOBECIÊNCIA – Arte e ciência no tempo presente” (2021). O objetivo do programa é destacar pesquisas em poéticas visuais artísticas que investem na investigação e experimentação de linguagem, bem como na transdisciplinaridade dos meios, operações e procedimentos.

A EXPOSIÇÃO-PERCURSO
“Denilson Baniwa — INÍPO: Caminho de transformação” se apresenta como uma exposição-percurso, com exibição fragmentada em 3 locais físicos e 1 virtual. A mostra traz a público trabalhos inéditos e recentes, criados entre 2020 e 2021. Com pintura mural, gravuras digitais, vídeo, lambe-lambe, e um filtro digital interativo.
O percurso sugerido da exposição começa no Goethe-Institut Porto Alegre, com a pintura Muyeréusáwa Rúka no muro de entrada da instituição. O trabalho criado especialmente para o projeto ilustra em mais de 11 metros de superfície os petróglifos, gravuras rupestres que narram fatos e mitos do povo indígena Baniwa; e as Casas de Transformação, locais sagrados de onde surgem os conhecimentos ancestrais. Pintado com cores fluorescentes sob base escura, o muro terá iluminação noturna com luz ultravioleta (luz negra), criando um efeito visual que remete ao encantamento dos seres da floresta. A instalação também dá continuidade ao projeto de ocupação artística do muro do Instituto realizado desde 2018.
Nas Salas Negras do MARGS, será apresentada a série de gravuras digitais “Aquela gente que se transforma em bicho”, com três gravuras feitas para exposição, em um total de oito, todas medindo 120×84. Os trabalhos retratam alguns dos seres duplos (espírito bicho-gente), que na teoria do perspectivismo ameríndio, indica que “tudo o que existe no cosmos pode ser sujeito, mas todos não podem ser sujeitos ao mesmo tempo, o que implica uma disputa.” Também serão exibidos os vídeos “Ty Ty – memórias de beija-flor” (3’26”) e “Floresta-Casa derrubada (A última maloca do fim do mundo)” (2’41”). Os vídeos abordam questões de indígenas em contexto urbano, as memórias da floresta, a constante luta por territórios, e as violências da colonização.
Seguindo o percurso rua abaixo, no 5º andar da Casa de Cultura Mario Quintana, o Jardim Lutzenberger recebe o lambe-lambe de grande dimensão “Repovoamento de uma cidade Floresta”, colada na fachada da Casa e nas paredes que circundam o jardim suspenso, a figura de um pajé soprando seu cigarro-sagrado diversas espécies de animais, representa os saberes e poderes da comunicação transcendental do “diplomata do cosmos”. As colagens dos animais se misturam com as muitas espécies de plantas do jardim.
O filtro digital interativo “Yawareté”, desenvolvido especialmente para exposição, pode ser acessado de qualquer lugar, antes, durante ou depois do percurso, através de um telefone celular com acesso ao aplicativo Instagram. O filtro brinca com a ideia da transformação do humano em bicho e do bicho em humano. A figura da onça, marca registrada do trabalho de Denilson, surge como uma máscara junto com os animais encantados, os mesmos pintados no mural do Goethe-Institut Porto Alegre. Para testar o filtro, acesse o perfil do Kino Beat no Instagram: @kinobeatfestival na sessão destaque.
Todas as atividades são gratuitas. Nos espaços fechados, é necessário o cumprimento das orientações sanitárias vigentes nas instituições.

