(de)morar | Referência Galeria de Arte

De 16 de setembro a 6 de novembro, a Referência Galeria de Arte apresenta a mostra (de)morar, uma coletiva de gravuras produzidas por 15 artistas brasileiros entre os anos 1980 e 2020. A exposição marca a estreia de Vinícius Brito na curadoria, que em seu primeiro trabalho realizou uma pesquisa no acervo da galeria para abordar a experimentação e a exploração das possibilidades que a gravura oferece para além da imagem. Com entrada gratuita e livre para todos os públicos, a visitação da mostra acontece de segunda a sexta, das 10h às 19h, e sábado das 10h às 15h. A Referência Galeria de Arte fica na 202 Norte, Bloco B Sala 11 – Subsolo, Brasília- DF. Telefone: (55 61) 3963-3501 e Wpp (55 61) 98162-3111.

A mostra (de)morar traz gravuras de Alfredo Volpi, Arcangelo Ianelli, Arthur Piza, Carlos Vergara, Eduardo Sued, Elyeser Szturm, Helena Lopes, Leda Catunda, Lêda Watson, Luiz Dolino, Manabu Mabe, Roberto Burle Marx, Rubem Valentim, Siron Franco e Tomie Ohtake. “Durante a pesquisa de acervo da galeria para organização da exposição, antes mesmo de escolhê-las pelo nome do artista, eu me demorava nas obras, colocando-me sob-risco, sendo atravessado por essas linguagens (daí o nome da exposição). Fui sendo levado por essa narrativa, um fio condutor, não uma mensagem, posto que todos os artistas da mostra se afastam da figuração, apesar de muitos deles possuírem trabalho no que podemos denominar como representação”, diz o curador Vinícius Brito.

O recorte do acervo promove um processo dissonante que esfacela a figuração a partir das obras de artistas brasileiros.  Composições artísticas que, apesar de muitas vezes produzidas em épocas e países diferentes, são permeadas de experimentações, sendo a abstração o elemento que talvez mais aponte para uma convergência em suas teorias e diretrizes, além do suporte gravura.

Para construir o corpo da mostra (de)morar, o curador retoma a trajetória da gravura contemporânea Brasileira a partir de instituições como o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro – MAM Rio, inaugurado em 1950. Mesmo sendo uma instituição recém-inaugurada, foi palco da então mais recente produção artística ao realizar mostras de arte como a abstrato-geométrica. Desde então, a vertente abstrata, como a concreta e neoconcreta, são centrais nos estudos artísticos mundiais, sobretudo no cenário nacional, ocupando seu devido espaço também através de cursos, palestras, exposições, dentro e fora das universidades brasileiras.

Vinícius ressalta que as obras que compõem o acervo da galeria, incluindo as que estão na mostra, promovem um atravessamento cuja mediação é direta, entre a obra e o espectador, permitindo interpretações, sensações mesmo, que cabe apenas a quem se demorar perante ela. A experiência do contato com a obra no contexto de uma exposição, mediada por um processo de curadoria é diferente de ter contato com a obra em uma reserva técnica, por exemplo. “Uma exposição é sempre uma chance de entrar em contato com a obra, de ser reapresentado, promovendo um outro diálogo, exatamente pela inserção nesse novo contexto, nessa outra narrativa”, diz. E completa: “A proposta da mostra não é guiar o visitante por meio de um fio condutor das gravuras que compõem a exposição, mas pô-lo sob-risco. Tecer uma abertura sobre a democratização da arte contemporânea abstrata mediante o suporte gravura, que impõe uma mudança na linguagem, longe de serem projetadas como simples artigos comerciais”.

 

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